Nicolás Maduro

Venezuelanos pedem renúncia de Maduro

Venezuelanos pedem renúncia de Maduro

Milhares de venezuelanos, opositores do governo, concentraram-se em 15 dos 23 Estados do país para pedir a "renúncia" do presidente Nicolás Maduro.

Durante a concentração, em Caracas, eram visíveis cartazes com mensagens como "A Venezuela exige a renúncia", "Já chega, renuncia Nicolás", "sem comida, sem água nem medicamentos", "não tenho porque manter a quem não retribui com segurança, alimentação e muito menos educação" e "de ideologia não se vive", entre outros.

Muitos luso-descendentes participaram no protesto. "Estou aqui (em Chacao, leste de Caracas), porque quero ver mudanças no país, quero ver soluções efetivas para a crise e porque as medidas do Governo não trazem nada de novo, apenas decretos, anúncios, mexidas de ministros, enquanto a situação se agrava cada dia mais", disse uma luso-descendente à agência Lusa. Com 25 anos, filha de madeirenses, Maria Encarnación Figueira, está a terminar estudos de arquitetura. "Não quero imitar os meus pais e ter de emigrar para conseguir melhor vida", disse.

Já Luís Freitas, 22 anos, marchou porque quer "melhores condições de vida". Estudante de Direito e filho de um emigrante natural de Aveiro, este luso-descendente queixou-se de que, em "grande parte" do tempo que deveria dedicar a estudar, anda "de supermercado em supermercado à procura de coisas que faltam em casa e sem a garantia de que as conseguirá".

"[Nicolás] Maduro, poupa-nos a tragédia e renuncia [à Presidência]", pediu o presidente do parlamento durante o ato de encerramento da concentração opositora em Caracas.

Henry Ramos Allup questionou Nicolás Maduro porque não renuncia ao cargo ao saber que "as coisas estão más", insistindo que a intenção da oposição, que desde as eleições 6 de dezembro passou a ter maioria no parlamento, é afastar o chefe de Estado do poder ainda este ano e convocar novas eleições presidenciais.

O presidente do parlamento pediu aos opositores para "apoiarem plenamente" as iniciativas promovidas pela oposição, como uma reforma constitucional para reduzir a duração do mandado presidencial de seis para quatro anos, um referendo revogatório e uma constituinte, "mas tudo insistindo na renúncia" do chefe de Estado.

"O parlamento está a cumprir exatamente com o compromisso que assumiram as organizações políticas [opositoras] e com o programa que prometemos aos venezuelanos. É um poder autónomo com faculdade plena para controlar, legislar e debater", disse Allup, recordando que recentemente o Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela emitiu uma decisão limitando os poderes da Assembleia Nacional (AN).

Allup afirmou que "o STJ é uma das instituições mais desacreditadas" e que a Assembleia Nacional "tem obstáculos" que são colocados pelos escritórios de advogados do Governo.

As concentrações deste sábado, que segundo a aliança opositora Mesa de Unidade Democrática, ocorreram em 15 dos 23 estados da Venezuela, marcaram o início de ações para exigir a demissão do chefe Estado.

No passado dia 8 de março, a MUD anunciou o lançamento do processo para a realização de um referendo de revogação do mandato presidencial de Nicolás Maduro.

Para afastar o chefe de Estado, a oposição convocou os venezuelanos para realizarem, a partir de hoje, marchas nacionais, ao mesmo tempo que anunciou que vai avançar com uma reforma constitucional para reduzir a duração do mandado presidencial de seis para quatro anos.

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