Olhares sobre a violência no contexto familiar

Um quarto dos jovens considera normal a violência entre namorados

Um quarto dos jovens considera normal a violência entre namorados

Quase um quarto dos jovens portugueses considera normal que se exerça pressão para obter contacto de natureza sexual, incluindo beijos forçados. A violência sexual propriamente dita é considerada banal por 16% dos cerca de 2500 inquiridos de um estudo da UMAR. Esta perceção da violência tem reflexo em casos concretos: 4,5% dos que já namoraram ou namoram sofreram violência sexual.

O estudo realizado pela União Alternativa e Resposta - UMAR, apresentado esta sexta-feira no Porto, antevéspera do Dia de S. Valentim, não poderia ser mais atual. Foi realizado entre outubro e janeiro de 2015, em escolas dos distritos do Porto, Braga e Coimbra a 2463 jovens na faixa dos 12 aos 18 anos. Para estudar a vitimação considerou-se os que já tiveram uma relação (1400).

As conclusões são "impactantes, porque o que julgamos que se passa nem sempre se verifica no campo e o que se passa no campo surpreende", afirma Ana Guerreiro, da UMAR. O organismo juntou beijo e sexo por entender que são duas componentes da intimidade muito importantes nestas idades. Mas, ainda assim, distingue comportamentos. A perceção da banalização do beijo forçado supera a do sexo, adianta a responsável, que reserva para esta sexta-feira outros dados com maior detalhe sobre esta realidade.

"A normalização da violência sexual", como a designa, "encontra explicação na sociedade patriarcal em que estamos inseridos. Muitas vezes, é quase um dever ter sexo numa relação de namoro. Se é minha namorada, é minha propriedade, e posso exercer poder sobre ela". Pelo lado feminino, "ainda se espera um determinado comportamento da parte dela. Os estereótipos de género são muito fortes e mantêm-se".

Observando-se a legitimação da violência sexual por género, sobressai o dobro de normalidade atribuída pelos rapazes a esta realidade: 32, 5% deles contra os 14,5% indicados por elas.

Estes valores não traduzem necessariamente que haja um crescendo de casos de violência no namoro, explica Ana Guerreiro. Até porque quando falamos de legitimação, falamos de modos de ver a realidade, e ultimamente "poderá haver maior consciência do que se passa e talvez haja por isso maior capacidade de denúncia".

5% alvo de violência sexual

Ainda no capítulo da perceção, a violência psicológica é considerada prática corrente para 24,4% dos inquiridos e a violência física por 9%. A responsável da UMAR equaciona se a menor aceitação da violência física não poderá ser um sinal dos efeitos das campanhas contra a violência doméstica.

No capítulo das vítimas, 8,5% dos jovens foram alvo de violência psicológica pelos parceiros: foram criticados, diminuídos, humilhados. 4,5% declararam ter sido obrigados a ter relações sexuais e 5% alvo de agressões: foram pontapeados, empurrados ou esmurrados.

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