Incêndios

Autarca de Castanheira de Pêra fala em cenário dantesco e poucos meios

Autarca de Castanheira de Pêra fala em cenário dantesco e poucos meios

O presidente da Câmara de Castanheira de Pera descreveu "um cenário dantesco, calamitoso" no concelho, um dos mais afetados pelos incêndios, e queixou-se de poucos meios e da falta de comunicações.

"Está tudo desmotivado, cansado. Não encontro palavras para descrever o nosso espírito. É um cenário dantesco, calamitoso. Isto é inimaginável", afirmou à agência Lusa Fernando Lopes, numa rara ligação telefónica que foi possível estabelecer com o autarca do norte do distrito de Leiria.

Fernando Lopes adiantou que "ardeu quase tudo no concelho", como "quase tudo" nos concelhos vizinhos de Figueiró dos Vinhos e Pedrógão Grande, também no distrito de Leiria.

"Isto é um cenário que não consigo descrever, só vivendo como o vivi. Arderam casas, pessoas dentro de casas. Pessoas que morreram asfixiadas na rua, dentro de casa, e também carbonizadas", continuou o presidente do município, o de menor dimensão do distrito de Leiria, que lidera há 12 anos.

O autarca, que noutras ocasiões se viu confrontado com fogos de grandes dimensões, garantiu nunca ter visto "o fogo a andar de um lado para o outro com toda a velocidade", para concluir que "era uma coisa do outro mundo".

Fernando Lopes revelou que se trata de uma situação "o pior que se possa imaginar", lamentando que o concelho esteja sem comunicações, "nem de rádio, nem de telefone", e que tenha "muito poucos meios".

O presidente da Câmara disse ainda esperar que "o primeiro-ministro, que sabe ser uma pessoa solidária, não falhe" no apoio ao concelho, dando conta de que à queixa de que não tinha comunicações, António Costa, que se deslocou ao concelho, entregou-lhe um telemóvel de outra rede.

Segundo Fernando Lopes, agora "é deixar arder a floresta" e "proteger pessoas e bens, principalmente casas".

"Setenta e cinco por cento da área florestal do concelho ardeu, assim como algumas casas", declarou o autarca, que elogia "a onda de solidariedade muito grande".

Classificando essa solidariedade como "uma espécie de conforto", o autarca alertou que "não chega".

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