Castanheira de Pera

Bombeiro que morreu tinha 40 anos e deixa um filho

Bombeiro que morreu tinha 40 anos e deixa um filho

O número de pessoas que morreram no incêndio florestal que deflagrou no sábado em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, aumentou para 64.

"Em relação aos cinco bombeiros feridos, tenho que dar esta triste notícia. O Gonçalo estava internado no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e há cerca de uma hora acabou por falecer. Efetivamente, os bombeiros portugueses estão de luto [...] já estavam de luto por aquilo que aconteceu a tantas pessoas que pereceram neste brutal incêndio. Agora choramos a morte de um dos nossos", afirmou aos jornalistas o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, Jaime Marta Soares, junto ao posto de comando em Avelar, no distrito de Leiria.

Jaime Marta Soares confirmou que o morto é um bombeiro da corporação de Castanheira de Pera, Gonçalo Conceição, de 40 anos, casado e que deixa um filho.

Visivelmente emocionado, o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses explicou que a vítima mortal tinha sido internada com ferimentos no rosto e queimaduras nas vias aéreas, adiantando ainda que era um dos bombeiros que se deslocava numa viatura no Itinerário Complementar 8 (IC8) que colidiu com um veículo ligeiro de civis e que tentaram salvar a vida dos outros, dando a própria vida.

O fogo, que deflagrou às 13.43 horas de sábado, em Escalos Fundeiros, concelho de Pedrógão Grande, alastrou depois aos concelhos vizinhos de Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, no distrito de Leiria, e entrou também no distrito de Castelo Branco, pelo concelho da Sertã. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera explicou que o incêndio foi provocado à conjugação "pouco habitual" de fatores meteorológicos. Temperatura muito elevada, baixa humidade, ausência de chuva, descargas elétricas associadas a trovoada seca, mudança de direção de vento muito rápida e reduzida água no solo foram os fatores enumerados.

O último balanço dá conta de 64 mortos civis e 135 feridos, entre os quais 121 civis, 13 bombeiros e um militar da GNR. Dos 135 feridos, sete estão em estado grave: cinco bombeiros voluntários e dois civis. Há ainda dezenas de deslocados, estando por calcular o número de casas e viaturas destruídas. O vice-presidente da Comissão Europeia, Jyrki Katainen, afirmou que União Europeia poderá comparticipar até 95% as despesas de reconstrução na sequência dos mortíferos incêndios que lavram no centro de Portugal.

A Comissão Europeia respondeu a todos os pedidos feitos pelo Governo português para o auxílio no combate aos fogos, tendo sido enviados sete aviões e mais de 100 bombeiros. "Foram enviados sete aeronaves de combate a incêndios de França, Itália e Espanha, mais de 100 bombeiros de Espanha e o sistema de satélite europeu Copérnico está a enviar mapas de avaliação de danos às autoridades", disse na conferência de imprensa diária o porta-voz Carlos Martín.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, apelou à concentração no combate ao fogo e no apoio às vítimas, sem atender a "mais frentes" como as causas ou meios empregados no terreno.

A Proteção Civil mantém um número (800 246 246) para informações sobre vítimas e estradas cortadas.

A onda de solidariedade gerada em torno da tragédia de Pedrógão Grande levou a que o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses apelasse à suspensão das dádivas de bens alimentares e medicamentos, pelo menos por enquanto, por terem já todos os "stocks" lotados.

Os incêndios florestais consumiram até 15 de junho 15.184 hectares, uma área ardida quase 12 vezes superior ao mesmo período de 2016, revelou o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.

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