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Cavaco faz apelo à "distribuição justa dos sacrifícios"

Cavaco faz apelo à "distribuição justa dos sacrifícios"

Presidente da República, Cavaco Silva, afirmou esta segunda-feira que não se pode esperar que "nos tempos mais próximos ocorra uma melhoria significativa da situação social" e reiterou o apelo a uma "distribuição justa dos sacrifícios".

"Num tempo de austeridade como aqueles que vivemos em Portugal, não podemos esperar que nos tempos mais próximos ocorra uma melhoria significativa da situação social da nossa população", afirmou Cavaco Silva, na entrega dos prémios EDP Solidária 2011, no Museu da Eletricidade, em Lisboa.

"Devemos ter bem presente que este é um tempo em que muitos portugueses vivem sérias dificuldades, temos à nossa frente um grande desafio de emergência social. Daí o apelo que eu tenho dirigido, para uma distribuição justa dos sacrifícios que se pedem aos portugueses", apelou.

A propósito do atividade da Fundação EDP, o Presidente sublinhou as "ideias básicas" da "responsabilidade social" e a "inovação social", que conjugadas dão origem a uma "nova conceção de filantropia".

"Não se trata mais de dedicar uma parte dos resultados de uma empresa a uma dádiva a esta ou aquela obra social. Trata-se, sim, de promover soluções de sustentabilidade social. Isto é, trata-se de substituir uma cultura da dádiva, por uma cultura da criação de oportunidades sustentadas de valorização das pessoas", sustentou.

Cavaco Silva referiu-se aos "novos pobres", pessoas que por uma "situação de desemprego, quebra de laços familiares, endividamento" passam por dificuldades, até de "carência alimentar", e aos idosos, deficientes, doentes, crianças maltratadas e às vítimas de violência.

À saída, aos jornalistas, Cavaco Silva sublinhou que "tem que existir uma atenção muito particular" para com estes portugueses, a que as "instituições de solidariedade social têm já dificuldade em responder".

"Estamos numa situação em que cada vez mais pessoas precisam de ajuda e cada vez menos recursos podem ser mobilizados por parte do Estado, uma situação extremamente difícil", afirmou.

Questionado sobre se o imposto extraordinário anunciado pelo primeiro-ministro na semana passada não agravará esta situação, Cavaco Silva escusou-se a comentar.

"Ainda não conhecemos os pormenores técnicos, segundo, ainda não foi discutido na Assembleia da República, e só depois chegará à mão do Presidente", respondeu.

Confrontado com a necessidade de cortar na despesa do Estado, afirmou: "É uma matéria que o Governo já anunciou no seu programa e que eu não vou comentar. Vamos aguardar por aquilo que o Governo irá fazer no futuro".

"Portugal chegou a uma situação insustentável e eu tive ocasião de dizer isso mesmo no 10 de Junho do ano passado e até fui criticado por isso. Antes, no Ano Novo de 2010, disse que Portugal caminhava para uma situação explosiva", lembrou.

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