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Descobertas oito novas espécies de bichos-de-conta em Portugal

Descobertas oito novas espécies de bichos-de-conta em Portugal

Oito novas espécies de bichos-de conta cavernícolas foram descobertos em grutas portuguesas pela investigadora Ana Sofia Reboleira cujo trabalho de investigação contribuiu, nos últimos anos, para triplicar o número de espécies endémicas conhecidas.

Consideradas "troglóbias", ou seja, exclusivamente cavernícolas, as oito novas espécies são "desprovidas de pigmento, os olhos estão ausentes e os seus corpos são geralmente mais alongados que os seus parentes próximos à superfície", disse Sofia Reboleira à agência Lusa.

Os bichos-de-conta são os únicos crustáceos que habitam "em permanência o meio terrestre", para isso estes animais "desenvolveram um complexo sistema condutor de água que permite manter húmidas as brânquias por onde efetuam as trocas gasosas", características que, segundo a investigadora, os torna "extraordinariamente sensíveis às alterações do meio, especialmente à poluição".

As novas espécies foram descobertas em grutas do Montejunto, das serras de Sicó, do vale tifónico das Caldas da Rainha, de Cascais, da serra da Arrábida (Gruta do Frade), do planalto das Cesaredas, das serras de Aire e Candeeiros (Gruta do Almonda), do Alentejo e do Algarve.

"Vivem exclusivamente em grutas de Portugal e são elementos fundamentais dos ecossistemas terrestres", sublinhou, precisando a sua relevância "na reciclagem de nutrientes" e nas cadeias tróficas das grutas, uma vez que se alimentam "dos detritos que chegam ao meio subterrâneo e servem de presa a uma grande variedade de predadores como aracnídeos e centopeias".

A investigação põe termo a um hiato de quase 70 anos no estudo taxonómico dos bichos-de-conta no país e é hoje publicada numa monografia na revista científica European Journal of Taxonomy, resultante dos trabalhos da cientista, no Centro de Estudos do Ambiente e do Mar e no Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro e financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

O trabalho tem a colaboração de Stefano Taiti do Conselho de Investigação Italiano, de Fernando Gonçalves da Universidade de Aveiro e Pedro Oromí, da Universidade de La Laguna.

Com estas sobe para 32, o número de espécies descobertas pela investigadora ao longo dos últimos seis anos em que "o património biológico conhecido que habita as nossas grutas triplicou".

A par, a investigadora atualmente a trabalhar no Museu de História Natural da Dinamarca (Universidade de Copenhaga), descreveu recentemente uma nova espécie de animal de cavernas do Irão, o primeiro milpés cavernícola daquele país e que alberga uma nova espécie para a ciência de fungo ectoparasítico.

Tem o nome científico de Chiraziulus troglopersicus e foi descoberto numa gruta na Cordilheira do Zagros, que se estende da Turquia ao Iraque, compreendendo quase a um quinto da superfície do Irão.

Trata-se de "uma zona particularmente interessante onde se pode estudar a transição entre a fauna cavernícola europeia e asiática", explicou Reboleira, lembrando que a maioria daquelas grutas "permanecem inexploradas e apenas nove espécies adaptadas à vida nas grutas" foram descobertas até à data no Irão.

A investigação foi publicada num artigo científico na já citada revista e resulta de um projeto financiado pelo Conselho Dinamarquês para a Investigação Independente, liderado pela investigadora com a colaboração de Henrik Enghoff da Universidade de Copenhaga, de Mohamad Hosseini da Universidade de Payame Noor e de Saber Sadeghi da Universidade de Shiraz.

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