Nacional

FENPOL "repudia" viagem de Director Nacional em executiva

FENPOL "repudia" viagem de Director Nacional em executiva

A Federação Nacional dos Sindicatos de Polícia repudiou este sábado "veementemente" a viagem do Diretor Nacional da PSP para Luanda em classe executiva e apelou ao ministro da tutela que "termine com este tipo de despesismo" e "arrume a casa".

A FENPOL reagia, em comunicado enviado à agência Lusa, a uma notícia do Diário de Notícias segundo a qual os responsáveis máximos da GNR e da PSP vão viajar no domingo para Angola em classe executiva para participar na 6.ª Reunião de Chefes de Polícia da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, custando a viagem da comitiva de três pessoas da PSP cerca de 10.000 euros.

Face a esta situação, a FENPOL "repudia veementemente a atitude do Diretor Nacional da PSP, que mais uma vez, se alheia das dificuldades económicas do país e da própria Policia de Segurança Pública, em prol do seu comodismo e bem-estar".

Para a federação sindical, "tal facto assume especial relevância, na medida em que surge na sequência de condutas anteriores nomeadamente a sua auto-colocação na nova tabela remuneratória que lhe permitiu auferir uma remuneração mais elevada", acrescendo a isto os montantes de ajudas de custo, pagos previamente.

"O Diretor Nacional mais uma vez revelou que está distante dos profissionais da PSP, que não sente as verdadeiras dificuldades da instituição e está a cada vez mais a aumentar a fratura existente no seio da PSP e entre todas as classes dos seus profissionais", disse a FENPOL, acusando o superintendente-chefe Guedes da Silva de nunca se ter colocado publicamente "ao lado dos seus subordinados na defesa dos seus direitos, concretamente pela aplicação do estatuto remuneratório".

A FENPOL lembrou que o patrulhamento auto foi reduzido em face de contenção de custos de combustível, privilegiando-se o patrulhamento de visibilidade, assim como foram reduzidas outras atividades de carácter operacionais, igualmente pelo elevado custo que acarretam no momento, "pelo que nunca se poderá aceitar uma situação como a noticiada hoje".

Em declarações à Lusa, o porta-voz da Direção Nacional da PSP, Paulo Ornelas Flor, confirmou a viagem naquela classe, mas justificou-a garantindo que está autorizada pelo primeiro-ministro, uma vez que, de acordo com o diploma legal em vigor, "em todas as viagens que tenham uma duração superior a quatro horas de voo é autorizada a deslocação em executiva, em detrimento da económica".

Quanto à deslocação também de dois comissários a Luanda, na comitiva do diretor nacional, Paulo Flor explicou que a PSP é responsável por duas comissões no âmbito da CPLP, uma sobre Armas e Explosivos e outra sobre Prevenção da Violência e Policiamento de Proximidade, o que justifica a deslocação destes dois elementos especialistas nestas áreas.

O porta-voz da polícia disse ainda que na última reunião de Chefes da Polícia, em abril em Maputo, foram apresentadas três propostas de projetos especiais em que a PSP vai colaborar com a CPLP, assunto que será seguido e aperfeiçoado na cimeira que agora se vai realizar agora em Luanda.

Várias associações sindicais da PSP já reagiram à notícia, entre elas o Sindicato Nacional de Polícia (Sinapol), que considerou a viagem "um ultraje" e exigiu ao Governo a "demissão imediata" do superintendente-chefe Guedes da Silva.

Recomendadas

Conteúdo Patrocinado

Outros conteúdos GM