Incêndio em Pedrógão Grande

Governante reconhece falhas de comunicação no SIRESP

Governante reconhece falhas de comunicação no SIRESP

Secretário de Estado da Administração Interna aponta problemas no SIRESP mas desvaloriza-os

O secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, admite que "houve falhas momentâneas de comunicação", durante o dia de sábado, que afetaram as diferentes forças presentes nos locais, nomeadamente bombeiros e militares da GNR.

Mas não se sabe se aquelas falhas terão privado a GNR de informações que a poderiam ter levado a cortar mais cedo a circulação automóvel em algumas estradas. A maioria das vítimas mortais do fogo registou-se nas estradas.

Foi ainda no sábado, perto das 23.30 horas, que uma jornalista questionou Jorge Gomes sobre as falhas nas comunicações. O governante reconheceu-as, acrescentando que as "comunicações foram restabelecidas". "Isso [as falhas] é natural, porque os postes começam a arder, as prestações de comunicação por vezes caem", desvalorizou, com uma garantia: "O SIRESP [Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal] está a funcionar, com bastante regularidade e bastante bem".

No sábado, pelo menos, houve queixas da dificuldade de comunicar por telemóvel, provavelmente por causa da destruição de antenas das operadoras telefónicas pelo fogo. Mas isso não deveria ser problema, pois o SIRESP é rede exclusiva das autoridades, com antenas espalhadas pelo território. Se uma destas antenas é queimada, são ativadas uma ou mais viaturas especiais do SIRESP que podem substituir temporariamente a antena destruída. "Já devem estar a chegar, para poder ser feita, se houver necessidade, a comunicação por essas viaturas", disse ainda, no sábado, Jorge Gomes.

Nos próximos dias, poderão ser apuradas as causas, a dimensão e o impacto das falhas. De um longo currículo de polémicas, não se livra já o SIRESP. Primeiro por causa do contrato milionário que garantiu à Sociedade Lusa de Negócios, ex-dona do BPN, e nos últimos anos devido ao seu funcionamento.

Em 2014, o Conselho Português de Proteção Civil disse mesmo, sobre a morte de dois bombeiros de Carregal de Sal, que eles "podiam estar vivos", se o SIRESP funcionasse bem.

Já em 2015, na Assembleia da República, o comandante distrital de operações de socorro de Faro, Vaz Pinto, disse que o SIRESP, em alguns "teatros de operação, tem tido falhas", referindo o caso do Algarve, onde "a determinado momento houve uma saturação da rede e foi preciso arranjar uma rede alternativa". "O SIRESP é uma boa rede de comunicações, que pode ser melhorada", ponderou.

cia

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