Tragédia

O que sabemos até agora sobre as vítimas mortais

O que sabemos até agora sobre as vítimas mortais

Pelo menos 64 pessoas morreram na sequência do incêndio que deflagrou na tarde de sábado em Pedrógão Grande, o mais mortal de que há registo em Portugal.

Entre as vítimas da tragédia, estão quatro crianças e alguns casais.

Rodrigo, de quatro anos, foi o primeiro rosto conhecido da tragédia. O menino estava de férias com o tio, Sidel Belchior. Morreram os dois num acidente de viação quando tentavam fugir das chamas.

Colidiram com o carro de Afonso Lopes Conceição, emigrante em França, que tinha chegado há poucos dias a Nodeirinho, para passar férias com a família. Seguia no carro com a mulher, que conseguiu escapar. O corpo de Afonso foi encontrado carbonizado não muito longe de casa.

Também de Nodeirinho, uma mulher e a neta, Bianca, de quatro anos, morreram cercadas pelas chamas na estrada, pouco depois de terem deixado a aldeia. A mãe da criança, Gina, de 39 anos, o marido e o irmão, de 19, também seguiam no automóvel e fugiram para pedir ajuda. Estão os três no hospital em estado grave, asseguram amigos.

José Maria e São Graça, 68 e 66 anos, residiam na Bobadela, concelho de Loures. Estavam a passar o fim de semana na aldeia de Vila Facaia e tentaram escapar ao fogo fugindo de carro, contaram familiares ao JN. Acabaram por ser apanhados pelas chamas na Estrada Nacional 236.

Um casal da Pontinha, Odivelas, morreu no incêndio de Pedrógão Grande, na Estrada Nacional 236. Cristina e Eduardo Costa deixam um casal de filhos, de 20 e 24 anos. O casal tinha ido passar o fim de semana com a mãe de Eduardo, que conseguiu sobreviver ao incêndio e está hospitalizada. Eduardo Costa trabalhava em próteses dentárias e Cristina era assistente num consultório dentista. O corpo de Cristina Costa foi identificado pelo irmão.

Fernando Abreu, na casa dos 60, mais conhecido por "parente", morreu encarcerado no carro, com a mulher e os pais, confirmaram amigos de profissão ao JN. Vivia em Monte Abraão, em Queluz, e era ex-maquinista da Comboios de Portugal. Tinha-se reformado há pouco tempo.

Mário Pinhal mandou a mulher, Susana, e as filhas, Joana e Margarida, meterem-se num carro e fugir. Mário seguia noutro carro mais à frente. A família perdeu a vida na EN 236-1. Ele sobreviveu.

Martim, de dois anos, e Bianca, com quatro, tinham ido com os pais, Lígia Sousa e Sérgio Machado, à Praia das Rocas, um complexo balnear em Castanheira da Pera. Eram todos naturais de Sacavém. Esta segunda-feira, amigos e familiares choraram a morte dos quatro. "Infelizmente tudo se confirmou. Os meus primos e os seus meninos estão desde sábado no céu. Obrigada a todos que se preocuparam, partilharam e ajudaram em tudo o que puderam", escreveu Liliana Bento no Facebook.

Mário Carvalho, madeireiro, também morreu, juntamente com o sobrinho, Diogo Carvalho, na beira da estrada da aldeia de Nodeirinho. Os dois iam tentar ver como estavam as máquinas de que precisavam para trabalhar.

Vasco e Luísa Rosa viviam em Lisboa, mas tinham casa em Nodeirinho. Segundo amigos do casal, foram colhidos pelas chamas, juntamente com o filho.

Outra família de Lisboa que estava desaparecida desde sábado, na zona do incêndio em Pedrógão Grande, está entre as vítimas mortais contabilizadas. Miguel Costa e Mafalda Lacerda estavam de férias na zona de Várzeas, acompanhados pelos filhos António, de seis anos, e Joaquim, de quatro anos. Morreram no interior do carro, quando fugiam ao fogo.

Na aldeia de Pobrais, houve duas famílias que tentaram escapar ao incêndio em dois carros. As oito pessoas acabaram por perder a vida um quilómetro depois, cercadas pelas chamas. Fátima de Carvalho, o marido Jaime, o filho Ricardo e a nora Ana seguiam num dos carros.

Na Estrada Nacional 236-1, onde a maior parte das viaturas ficou encurralada e onde se registaram vários acidentes, houve um que envolveu um ligeiro de passageiros e um camião dos bombeiros de Castanheira de Pera. O automóvel ficou imobilizado no local e acabou por ser apanhado pelas chamas. Os ocupantes do carro perderam a vida, os bombeiros que tentaram salvá-los ficaram feridos.

Um bombeiro de Castanheira de Pera que se encontrava hospitalizado acabou por morrer, esta segunda-feira, confirmou o presidente da Liga de Bombeiros, Jaime Marta Soares. Gonçalo Conceição tinha 40 anos e estava internado no Hospital da Universidade de Coimbra.

Em Avelar, uma idosa que se recusou a sair de casa acabou também por morrer. "Houve uma senhora com mais de 82 anos, perto de nossa casa, que não aceitou ser retirada. Ela insistiu em ir para casa dela e morreu", relatou Fátima Antunes, cuja família e a casa ficaram a salvo.

Na aldeia de Sarzedas de S. Pedro, vários operários da fábrica têxtil "Albano Morgado, SA" morreram a tentar fugir a pé da localidade. "Quem ficou em casa, conseguiu sobreviver. Quem tentou fugir, morreu", lamentou Ana Morgado, uma das proprietárias deste negócio familiar.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros francês deu conta de que um cidadão de origem francesa morreu no incêndio de Pedrógão Grande.

Um engenheiro da Câmara Municipal de Castanheira de Pera, o filho pequeno e a mãe estão entre as 64 vítimas mortais do incêndio de Pedrógão Grande. Fernando Rui Mendes Silva, de 48 anos, foi apanhado pelas chamas na Estrada Nacional 236-1.

De Sarzedas de S. Pedro são conhecidas mais seis vítimas. Eliana Damásio, 38 anos, António Nunes, 41 anos, Nélson Nunes, 33 anos, Paulo Silva, 36 anos, ??Maria Odete e Manuel Bernardo. Nelson era irmão de António. Paulo Silva era amigo da família. Perderam a vida no sábado, quando tentaram de carro fugir às chamas. Não chegaram a dobrar a curva, mesmo à saída da aldeia. O carro das duas primeiras vítimas capotou. Faleceram no local. Os funerais das seis vítimas realizam-se esta terça-feira.

Sara Costa, de 35 anos, também morreu no incêndio de Pedrógão Grande. Sara deixa um filho de sete anos. Encontrava-se em Vila Facaia quando eclodiram as chamas.

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