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Empresário recebe milhões para despoluir rio onde faz descargas

Empresário recebe milhões para despoluir rio onde faz descargas

A pedreira Nicolau de Macedo, detida pelo vice-presidente do Sporting Clube de Braga, Gaspar Borges, é a que tem mais autos de notícia e contraordenação levantados pela GNR no rio Ave. Quarta-feira, as águas do rio voltaram a aparecer brancas devido a uma descarga de pó de pedra e a principal suspeita aponta para a pedreira de Gaspar Barbosa Borges.

Curiosamente, o dirigente também é o responsável pelo Sistema Integrado de Despoluição do Vale do Ave (SIDVA), que recebe milhões de euros das empresas daquela bacia hidrográfica para tratar as águas residuais das indústrias.A responsabilidade de Gaspar Borges nas empresas que despoluem é feita através da construtora ABB.

A responsabilidade de Gaspar Borges nas empresas que despoluem é feita através da construtora ABB. Aquela adquiriu, em 2008, a empresa privada Aquapor, que tem a concessão das águas de dezenas de municípios. A Aquapor é ainda acionista maioritária da Tratave que, por sua vez, detém a concessão do SIDVA até 2023.

Na prática, a concessão significa a exploração das três estações de tratamento de resíduos do Ave e a cobrança, a todas as indústrias ali ligadas, de 56 cêntimos por cada mil litros de água suja tratada. A concessão foi entregue pela Associação de Municípios do Ave, por concurso público, em 1998. Ou seja, Gaspar Borges lidera a firma mais acusada de poluir e está no topo da cadeia do conjunto de empresas responsáveis por despoluí-lo.

Só para a "Nicolau de Macedo", a GNR de Guimarães já elaborou cerca de 20 autos de notícia por atentados ambientais e decorre um processo criminal na 7.ª secção do Tribunal de Braga na sequência de descargas alegadamente provenientes da empresa. O último auto de notícia por poluição diretamente proveniente da "Nicolau de Macedo" é referente ao dia 4.

A empresa chegou a ser proibida de cortar pedra, em setembro do ano passado, após ter efetuado uma das maiores descargas de pó de pedra de que há memória. Um mês depois e com os problemas alegadamente corrigidos, recebeu nova autorização para laborar.

Quatro horas

A descarga de ontem, pelo facto de o rio ter o caudal alto, só foi visível durante cerca de quatro horas, entre as 9.30 e as 13.30 horas. E os vestígios da descarga junto da empresa eram bem notórios. "Quer maior prova que esta?", questionava Germano Silva, morador de Gondomar, enquanto apontava para o caudal branco dirigido ao rio. O JN contactou Gaspar Borges e Jorge Costa, este diretor da Nicolau de Macedo. Nenhum respondeu às solicitações do JN.

Em setembro, o diretor Jorge Costa limitou-se a esclarecer que todos os processos instaurados por poluição "estão a ser contestados".

Ontem, a Câmara de Guimarães emitiu um comunicado a condenar nova descarga. "A Câmara está preocupada em defender o rio Ave", reafirmou Domingos Bragança, presidente. O autarca já tinha salientado que as empresas que não tratam as águas estão, para além de poluir, a praticar "concorrência desleal".

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