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Portugal à espera da decisão de Cavaco

Portugal à espera da decisão de Cavaco

O presidente da República terminou, esta quarta-feira, a ronda pelos partidos com assento parlamentar e já pode indigitar o futuro primeiro-ministro.

Mas apesar de ter afirmado, desde as eleições legislativas de 4 de outubro, ter todos os cenários possíveis estudados, Cavaco Silva protelou o anúncio que fez saber que seria transmitido "diretamente aos portugueses". Fonte da Casa Civil afirmou ao JN que a decisão será tornada pública esta semana.

O chefe de Estado, que tem pedido insistentemente "um Governo estável e duradouro", terá agora de dar posse a um Governo minoritário, no caso formado pelo PSD e CDS-PP (juntos tiveram 38,57% dos votos) - possibilidade que garantiu, em novembro do ano passado, em entrevista ao "Expresso", que não aceitaria -, ou a um executivo maioritário que resulta de uma coligação pós-eleitoral entre PS (32,31%), PCP (8,25%) e BE (10,19%).

O acordo à Esquerda ainda não está fechado, nem assinado. Mas todos os representantes destas forças partidárias deram ontem carta branca a Cavaco para empossar um Executivo de Esquerda, assegurando estarem criadas as soluções para a estabilidade. Jerónimo de Sousa, do PCP, disse mesmo que não o fazer já "será uma perda de tempo". Mas carta branca é uma coisa e cheque em branco é outra, como notou Manuela Cunha, do partido Os Verdes. "É difícil responder se aprovamos um orçamento do PS antes de o termos na mão", ressalvou. Ainda assim, disse que os ecologistas têm "disponibilidade para viabilizar um Governo socialista" e são "responsáveis nessa matéria".

Passos aposta em primeira linha

No PSD, que esteve reunido durante a tarde de ontem, ninguém quis falar sobre a possível formação de um Governo. Pelo menos, abertamente. Mas, ao JN, um deputado social-democrata garantiu que "jamais Pedro Passos Coelho apostará em nomes de segunda linha para esse Governo", mesmo prevendo-se que possa ser rejeitado.

O objetivo, avançou, "é ter um bom Governo, com um bom programa, que possa assimilar propostas do PS, de modo a que António Costa não tenha espaço para apontar pontos fracos no dia em que tiver de votar uma moção de rejeição", explicou. Se for indigitado, Passos deverá usar os dez dias que tem para formar um Executivo para endereçar convites a pessoas "de primeira linha".

Tendo presente que, até abril de 2016, o presidente da República não poderá dissolver o Parlamento, outro deputado acrescentou que Passos não aceitaria ficar em gestão. No entanto, disse, "há gente deslumbrada disposta a entrar num Governo a prazo".

Já Durão Barroso, em Madrid, no Congresso do Partido Popular Europeu, deixou críticas veladas à Esquerda, considerando que dali resultaria "um Governo assente numa solução inconsistente e incoerente".

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