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PSD fez chamada falsa para o 112 para testar tempos de espera

PSD fez chamada falsa para o 112 para testar tempos de espera

A deputada do PSD, Joana Barata Lopes, protagonizou, esta manhã, uma pequena polémica durante a audição do presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), no Parlamento, assumindo que o grupo parlamentar fez uma chamada falsa para o 112 para testar a rapidez da resposta do serviço nacional de emergência.

"O grupo parlamentar do PSD fez, já durante esta audição, uma chamada para o serviço 112. Desde o primeiro toque até serem atendidos, decorreram 14 segundos. Evidentemente que é um exemplo meramente indicativo, mas nove segundos de diferença entre os cinco segundos e os 14 segundos desde o primeiro toque até ao atendimento efectivo podem, de facto, fazer a diferença na vida ou na morte de um cidadão que contacte o INEM", disse Joana Barata Lopes, deputada do PSD, na Comissão Parlamentar de Saúde.

A chamada-teste do PSD pretendia confirmar o dado, hoje revelado por Miguel Soares de Oliveira, de que, no primeiro semestre deste ano, 62% das chamadas 112 foram atendidas em menos de cinco segundos. Uma revelação que contraria os resultados da auditoria do Tribunal de Contas, divulgada no início do ano e relativa ao triénio 2007/2009, que apontava para uma espera média de 13 segundos, acima das recomendações internacionais que sugerem que sejam atendidas no máximo em 10 segundos.

A revelação da jovem deputada provocou de imediato um sururu na sala, com o deputado do CDS-PP, Serpa Oliva, a questionar, em voz baixa, que se ocupasse o número nacional de emergência com uma chamada falsa para testar a eficácia do serviço. A deputada socialista Luísa Salgueiro foi mais longe na condenação do telefonema e lembrou que fazer chamadas falsas para o INEM é crime.

O próprio presidente do instituto não deixou passar o episódio em claro: "Foi aqui dito - quem sou eu para julgar - que chamadas falsas para o 112 constituem eventualmente um ilícito e eventualmente um crime", disse Miguel Soares de Oliveira, aproveitando para esclarecer "um erro clássico e habitual": é que ligar para o 112 não é o mesmo que ligar directamente para o INEM, visto que a chamada passa sempre pela PSP.

"Só depois de triada a chamada, [feita] muito rapidamente pela central 112 da PSP, é que a chamada é transferida para o INEM e é a partir daí que começa a nossa quota-parte de responsabilidade - que é grande e que estamos a melhorar. Agora, não podemos confundir o 112 com o INEM - é um erro clássico, habitual, enraizado na cultura do povo e que temos de alterar. O 112 não é o INEM", insistiu.

A deputada do PSD ainda fez uma interpelação, pedindo para saber, então, "qual é o tempo de espera efectivo" a partir do momento em que a chamada é transferida para o INEM, mas Miguel Soares de Oliveira não adiantou esse dado.

De acordo com dados revelados hoje no Parlamento, o número de chamadas para o INEM aumentou 5,2% no primeiro semestre de 2011 (num total de 734682), comparativamente ao período homólogo de 2010, enquanto as chamadas desligadas antes de serem atendidas baixaram 17,5% (num total de 26750). Não foram revelados os números das chamadas falsas para o INEM mas, todos os anos, são cerca de meio milhão.

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