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Bactéria que matou em Gaia faz vítimas no hospital de Coimbra

Bactéria que matou em Gaia faz vítimas no hospital de Coimbra

O Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra tem 24 doentes colonizados com "Klebsiella pneumoniae com KPC", uma bactéria muito resistente a antibióticos. Houve doentes que morreram.

É a mesma bactéria que foi contraída por mais de uma centena de doentes e diretamente responsável pela morte de três pessoas, no ano passado, no hospital de Gaia.

Em Coimbra, não se pode falar em "surto", alerta o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), que já tomou várias medidas de contenção da bactéria. Os 24 portadores da Klebsiella com KPC estão isolados "para prevenir a eventual disseminação" e há cinco colonizados (sem infeção) internados em Cuidados Intensivos "por outras causas clínicas", afirmou, ao JN, o gabinete coordenador local do Programa de Prevenção e Controlo das Infeções e das Resistências ao Antimicrobianos do CHUC.

A mesma fonte admite que houve doentes que morreram, mas não especifica quantos. Reforça, porém, que todos tinham quadros clínicos graves com várias patologias e idade avançada. Entre os portadores da bactéria, há "uma fração" que desenvolveu infeção, referiu o hospital, que também não especificou quantos, apesar da insistência do JN. Os colonizados poderão nunca vir a desenvolver infeção, salvaguardou o CHUC.

Confirmada a existência da bactéria, o Conselho de Administração do CHUC constituiu uma "task force" para acompanhamento da situação e para "implementação de medidas de contenção, rastreio e monitorização da eficácia das mesmas, tendo por base as orientações da Direção-Geral da Saúde".

Segundo o gabinete coordenador das infeções do CHUC, diariamente é feito "um rastreio a todos os doentes que cumprem os critérios de contactante com um caso KPC" e a evolução da situação global é reportada à direção clínica.

Para conter a propagação da bactéria - que se transmite através de secreções e pelo contacto direto com um doente infetado -, foram aplicadas medidas que passam pelo "isolamento físico - de contacto - imediato de todos os doentes" identificados com a bactéria nos serviços de internamento; pela adoção de equipamentos de proteção individual específicos como vestuário descartável para os profissionais e batas para as visitas dos doentes; reforço da desinfeção de vestuário e superfícies; e, por último, foi feito "um isolamento de coorte" no Serviço de Medicina Intensiva, com espaço e equipas dedicadas durante 24 horas para prestação de cuidados a estes doentes.

O CHUC realça que tem habitualmente internados nos vários polos clínicos 1900 doentes agudos, pelo que 24 doentes colonizados "não constitui - por ora - uma situação geradora de alarmismo social", apesar de justificar as medidas implementadas.

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