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Pacemaker salvou coração do cão Evoxx

Pacemaker salvou coração do cão Evoxx

De um momento para o outro, o Evoxx começou a desmaiar. Ao menor esforço, caía para o lado. Até que a família Pinto encontrou a solução.

Tal como sucede com os humanos, o coração deste cão de raça rottweiler com quem vive há oito anos foi salvo com a implantação de um pacemaker. A mesma sorte teve uma dezena de outros cães que são acompanhados pelo Hospital Veterinário do Porto, o único em Portugal com uma equipa própria para este tipo de intervenção.

No final desta semana, António Manuel Pinto, residente em Leça do Balio (Matosinhos), recebeu a boa notícia do veterinário Luís Lobo, que fez a intervenção. O Evoxx poderia finalmente voltar a ter uma vida normal, oito dias depois. Na noite em que foi buscá-lo, após a consulta de avaliação, o cão de 48 quilos procurava brincar e receber festas no consultório, com um olhar meigo e o corte feito para o pacemaker visível no pescoço.

O Evoxx sofre de um bloqueio atrioventricular (também designado por auriculoventricular), que é a principal indicação para colocar um pacemaker. Trata-se de um bloqueio de eletricidade no coração: não passa das aurículas para os ventrículos. Neste caso, era intermitente, explica Luís Lobo, que dedicou grande parte da sua vida à cardiologia veterinária. Quando havia bloqueio, o Evoxx desmaiava porque o coração não conseguia bater. Teria "muito pouco" tempo de vida sem o dispositivo.

Este procedimento é feito no Hospital Veterinário do Porto há dois anos por uma equipa própria. "Somos os únicos no país com um serviço especificamente direcionado para isso", nota Luís Lobo, também diretor clínico daquele hospital fundado em 1998.

Da dezena de cães em que foi colocado o pacemaker, a maioria é de fora do Porto. São oriundos de Bragança ao Algarve. O problema costuma surgir em cães de meia idade ou idosos. O mais velho tem 14, mas um dos cães precisou de pacemaker com apenas um ano. No último semestre, "houve uma média de um caso por mês". O pacemaker pode ser colocado noutros animais, como gatos, mas a patologia é menos comum.

Todos a chorar pela casa

A intervenção do Evoxx demorou 50 minutos. Sob a pele, foi implantado um gerador, do qual sai o elétrodo que vai pela veia jugular até ao coração para estimular a eletricidade. Deste modo, é possível manter o ritmo cardíaco.

Para trás fica o desespero de quem viu o amigo de quatro patas a definhar. "A partir do momento em que o Evoxx teve este problema, andava toda a gente a chorar pela casa com medo de que ele morresse", contou ao JN António Manuel Pinto, bancário de 59 anos.

O Evoxx "é louco pelo meu filho", que "é o dono do cão", relatou o pai. E foi Ricardo, de 32 anos, que o levou à urgência quando surgiram os sintomas. Primeiro, foram a outra clínica e, uma vez apurado o motivo dos desmaios e do cansaço, seguiram a recomendação para ir ao Hospital Veterinário do Porto. "Disseram-nos que só uma pessoa o fazia: o doutor Luís Lobo".

"O Evoxx faz oito anos a 31 de agosto, está connosco desde os três meses", recordou depois António Manuel Pinto, explicando que a palavra "gostar" não chega quando se tem "amor por um animal".

Custo pesou na decisão

Além disso, "é preciso ter grande amizade para lhe implantar o pacemaker, também pelo custo", admitiu, uma vez que pagou 1700 euros pelo dispositivo e pela intervenção. A decisão da mulher "foi determinante" para avançar, contou a propósito.

A intervenção para colocação do pacemaker fica entre os 1700 e os 1900 euros e o Hospital Veterinário do Porto tem um serviço de crédito para os clientes.

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