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Cara Assunção Cristas

Cara Assunção Cristas

Percebe-se que a última semana não tenha sido fácil. Começou com as revelações sobre a gestão da crise da banca, em que o seu papel não terá ido além de dar um OK a um email urgente da colega das Finanças, quando estava tranquilamente de férias e não tinha participado em qualquer discussão sobre o assunto. Seguiu-se a irritação do antigo parceiro de Governo, já para não falar nas críticas dos partidos à Esquerda e de tantos portugueses incrédulos com a aparente tranquilidade perante o abismo do BES.

Quase a fechar a semana, foi tempo de conhecermos o último candidato na corrida à Câmara de Lisboa. Como líder partidária que investe e arrisca numa candidatura à maior autarquia do país, seria inevitável ouvir a sua opinião sobre o nome de Teresa Leal Coelho, ontem confirmado oficialmente pela estrutura distrital do PSD. Ora eu, confesso, não pude evitar uma irritaçãozinha quando ouvi a sua frase: "Acho que ser mulher é bom, sinto-me mais acompanhada nessa matéria".

Senti que colocou a questão de género ao nível paternalista com que muitos se referem ao assunto como sendo "coisa de mulheres". Quando, na verdade, uma mulher na política não é, por si só, nem melhor nem pior do que um homem. A nossa ambição não deve estar na companhia. Porque não há diferença entre concorrer contra homens ou contra mulheres. Temos exatamente as mesmas capacidades e competências.

Como ministra que já foi, com uma família numerosa, sempre considerei que tem todas as razões para dar cartas na defesa da igualdade. Nunca deixou de ir à luta e de aceitar a missão difícil de fazer esquecer um líder carismático como foi Paulo Portas. Não deixa de ser surpreendente que, com tanto caminho feito, seja necessário comentar a escolha de uma candidatura pela companhia que ela lhe traz como mulher.

Amiga pessoal de Pedro Passos Coelho, a candidata social-democrata não foi uma primeira escolha. Não admira os títulos de jornais que brincaram com o seu nome. "Teresa Leal a Passos Coelho", leu-se nos últimos dias. Porque essa lealdade é uma espécie de sacrifício numa corrida que se antevê de resultado pouco brilhante. E as mulheres, lá vêm os estereótipos de género, serão mais predispostas a encarnar estes sacrifícios.

Precisamos de mulheres na política, como na gestão de empresas, nas polícias e nas Forças Armadas. Mas precisamos de uma presença desempoeirada, sem paternalismos, de igual para igual. E temos de ser as primeiras a interiorizá-lo.

* SUBDIRETORA

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