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Futebol, eleições e Noruega

Futebol, eleições e Noruega

Tornou-se um padrão: de eleição para eleição, batem-se novos recordes de abstenção. Ou seja, e independentemente das razões, há cada vez mais gente que não se dá ao trabalho de votar. Sendo que a proximidade entre políticos e eleitores, ou entre decisões políticas e os seus efeitos, ao contrário do que se costuma dizer, não mobiliza. Pelo contrário, o número de abstencionistas tem sido mais elevado em eleições locais do que em nacionais: quase metade dos portugueses (47,4%) passou ao lado das autárquicas de 2013.

Nada indica que essa tendência seja invertida nas eleições que se aproximam. Mas não deveria ser preciso a ameaça de um novo recorde no próximo dia 1 de outubro para a sociedade em geral, e os políticos em particular, começarem a discutir e sobretudo a tomar medidas que ajudem a combater o desinteresse dos cidadãos pelas escolhas que afetam as suas vidas.

Acresce que o fim da saudável tradição que ditava que não havia jogos de futebol em dia de eleições não irá ajudar. Menos ainda quando se sabe que a jornada futebolística (e eleitoral) inclui um jogo entre dois grandes (Sporting e F. C. Porto) que partilham o primeiro lugar do campeonato e que este começa a uma hora (18) em que as urnas estão abertas. Proibir seria excessivo, mas salientar apenas a "maturidade" dos eleitores, como ontem fazia um político (não interessa qual, poderia ter sido qualquer um) é insuficiente.

A melhor linha de atuação talvez fosse a de que os políticos - ao nível local, como ao nível nacional - desistissem de promessas delirantes e cumprissem as restantes. E, já agora, que deixassem de meter a mão no prato. Mas, admitindo que é impossível (pelo menos relativamente a uma parte deles), há pelo menos uma ou outra medida que, facilitando o ato físico de votar, talvez ajudasse a reduzir a abstenção.

Li há dias um "post" no Facebook do cientista político Pedro Magalhães que enumera pelo menos duas que se aplicam a eleições locais: "que todos os eleitores possam votar antecipadamente, se assim o entenderem, sem justificação necessária, durante a semana anterior às eleições, em postos espalhados pelas cidades, incluindo nas universidades; que todos os eleitores possam votar no local onde entenderem, e não apenas nos locais das áreas onde estão recenseados, seja antecipadamente, seja no dia das eleições".

Pedro Magalhães escrevia a propósito do que testemunhou nas recentes eleições na Noruega, onde a taxa de abstenção, como entretanto acrescentou, foi de 22%. "Apreciamos muito ir ver como nos tratam nas notícias internacionais. Não gostavam de aparecer nelas como um caso raríssimo de um país capaz de diminuir a abstenção em 15 pontos ou mais de uma eleição para outra? Eu gostava". Gostávamos, Pedro.

* EDITOR EXECUTIVO

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