A revolta está instalada. Profissionais da Saúde que militam no PSD, entre os quais um conselheiro nacional, decidiram escrever ao líder do partido, Durão Barroso, para dar conta do descontentamento pelo modo como está a ser feita a reforma do sector. A contestação ao ministro Luís Filipe Pereira é clara.
Pelos médicos do Norte, a carta já foi enviada. É subscrita por personalidades como o ex-ministro Paulo Mendo, o ex-secretário de Estado Faria de Almeida, o sindicalista Carlos Santos, Miguel Leão, António Silva Real e Manuel Fontes de Carvalho. Em Lisboa e no Centro, estão na forja iniciativas com o mesmo objectivo.
A carta já enviada, na sequência de um jantar realizado ainda antes das europeias, traduz uma "enorme apreensão" face ao rumo que está a tomar o sistema de Saúde. "Passados dois anos de conturbadíssima e permanentemente conflituosa actuação da actual equipa ministerial, que seguramente virá a ser responsável pela alteração que se adivinha na base de apoio do PSD, o projecto de reforma está moribundo", lamentam os médicos. Mais: garantem que os profissionais foram "ignorados e marginalizados", assistindo "à execução de medidas muitas vezes de interesse individual, quantas vezes escandalosas, a fazerem esquecer os piores pecados dos tempos do consulado socialista".
Vistas as coisas, o actual ministro, "para além de não dispor já de qualquer credibilidade" ou margem de negociação, "foi, na prática, o pior inimigo da reforma" anunciada. E a solução passa por mudar a estratégia e recorrer a "gente credível e respeitada no terreno".
Contactado pelo JN, Jorge Roque da Cunha, conselheiro nacional do PSD, revelou que está em preparação uma iniciativa semelhante em Lisboa. O ex-deputado classifica a actuação do ministro como "sofrível". Além da "incapacidade de reforma", em termos de financiamento e organização dos sistemas, nota que os programas anunciados e os resultados dos hospitais SA "são próximos da propaganda". Conhecimento de causa, capacidade de diálogo e reformadora é o que diz faltar. Questionado sobre se defende a demissão de Luís Filipe Pereira, afirma apenas que o ministro "devia considerar a actividade do Ministério da Saúde como parcialmente responsável pelos maus resultados eleitorais".