Carla Sofia Luz
Só em meados de 2005 é que as obras de recuperação do edificado chegam à Baixa. Já estão definidas as seis áreas de intervenção prioritárias da Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU), que continua a ter apenas uma comissão instaladora. Apesar da lei de constituição das SRU ter sido publicada a 7 de Maio, a sociedade portuense ainda não foi criada nem é conhecido o parceiro estatal da Câmara do Porto.
Os quarteirões alargados de Almada, de Bolhão/S. Lázaro, de Lóios/Alfândega, de Miguel Bombarda, de Lapa/ Bonjardim e do Infante (ler Áreas Prioritárias) foram escolhidos para o arranque da reabilitação do centro do concelho que integra oito freguesias: Massarelos, Cedofeita, Santo Ildefonso, Bonfim, Miragaia, Vitória, S. Nicolau e Sé. Com 84 mil habitantes, a zona perdeu, na década de 90, 23 mil moradores e um quarto da população possui mais de 65 anos. Cerca de 60% das famílias são compostas por uma ou por duas pessoas e 38% dos residentes não têm estudos ou têm somente o primeiro ciclo.
O diagnóstico faz parte do estudo estratégico para o enquadramento de intervenções de reabilitação urbana na Baixa do Porto, desenvolvido por uma equipa da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e liderado por Isabel Breda. Os vereadores da Câmara do Porto ficaram a conhecer, na reunião pública de ontem, as linhas gerais deste estudo em fase final. O "masterplan" ficará concluído no primeiro semestre de 2005 e só nessa altura será apresentado aos investidores, aos proprietários e aos moradores.
"Queremos desenhar um masterplan que seja o farol e dê confiança e credibilidade. Sem este plano, a reabilitação da Baixa seria um projecto muito difícil", indicou Joaquim Branco, presidente da comissão instaladora da SRU, lembrando a necessidade de desenvolver "alguns projectos pilotos para testar o modelo", antes de lançar as intervenções prioritárias em 2005. Até ao final do ano, poderão avançar pequenos testes no centro.