Animação, muita animação, sem preconceitos ou tabus, mas também um manifesto e uma acção de solidariedade, para gays, heterossexuais e todas as opções. É a quarta edição do Porto Pride, a festa que promete encher, na noite de amanhã, o Teatro Sá da Bandeira de cor e alegria.
Não é um arraial ou desfile, mas, ainda assim, o Porto Pride está aberto a todos que queiram participar numa festa muito animada, explica João Paulo, editor do portal portugalgay.pt e organizador do evento. O convite é bem explícito: para todos os gays, lésbicas, bissexuais, transgenders e heterossexuais. Porque o ideal, explica João Paulo, era que não fosse preciso haver bares ou festas gays. "Mas, enquanto eu não puder beijar o meu namorado num bar, é necessário que existam espaços gays", acrescenta.
Se a presença dos heterossexuais é bem-vinda por simbolizar o apoio à causa, a dos homossexuais assume quase a importância de um manifesto. "Se alguém tem medo de ser reconhecido e ter problemas no emprego que apareça de burka, de turbante ou com uma máscara a tapar a cara. O importante é que esteja presente porque continuamos a ser discriminados nos nossos direitos fundamentais", explica João Paulo.
"Os heterossexuais não entendem o conceito de orgulho gay porque não sentem na pele o que é a discriminação. Os eventos 'pride' celebram quem teve a coragem de se levantar para defender os nossos direitos, há 35 anos. E, mesmo actualmente, quem se assume e corre os riscos inerentes tem motivos para se sentir orgulhoso", sublinha.
O programa inclui a actuação especial dos transformistas do bar "gayfriendly" Boys R'Us, que também participam na organização do Porto Pride, e a participação de vários DJ que prometem música non stop até de manhã.