Portugal não é campeão europeu. A glória pertence à Grécia, que venceu com um golo de Charisteas, na sequência de um canto, aos 57 minutos, no que foi o primeiro e único remate dos gregos à baliza de Ricardo. É estranho, mas é verdade. É bom a Grécia ter sido campeã, porque prova que os pequenos países também podem chegar ao topo. É mau, porque este Europeu merecia um campeão mais arrojado que praticasse um futebol-swing... É também a vitória de Otto Rehhagel, o treinador alemão que transformou um grupo mediano de jogadores em excelentes atletas e numa equipa intratável - uma palavra para o veterano Zagorakis, que aos 32 anos merece ser incluído entre o grupo de grandes jogadores da Europa.
Para Portugal, a frustração de ver ruir como peças de dominó um castelo que foi construindo com o apoio de dez milhões de adeptos quando só faltava colocar a última pedra. É duro, mas é a pura verdade. A Grécia voltou a roubar as ideias à selecção nacional, sempre incapaz de criar desequilíbrios nos últimos metros de campo. Scolari, como sempre, foi um treinador incapaz de fazer rupturas na equipa, que só ganhou balanço ofensivo nos últimos 20 minutos, quando Rui Costa deu um bocadinho de velocidade à bola.
Pauleta foi a imagem de todo o torneio, a de um jogador fora de forma, com quem a bola não quer nada, chegando a ser penoso deixá-lo em campo a hora e dez que o seleccionador insistiu no açoriano. Deco e Figo estiveram muito, muito longe do que fizeram frente à Holanda e até Ricardo se deixou embrulhar na confusão de gregos no canto que ditou o resultado, deixando a baliza deserta.
No futebol, como na vida, o talento é uma ferramenta muito útil. Só que no futebol, como na vida, a solidariedade e a vontade ajudam a disfarçar carências e a triunfar. E foi essa, ontem e em toda a competição, a maior qualidade da selecção grega, uma equipa formada por jogadores com alma de defesas e o espírito de sacrifício dos que querem conquistar a glória.
Tiveram alguma sorte, mas merecem o respeito devido aos vencedores. Para Portugal fica um histórico torneio e, ainda assim, um belo segundo lugar, mas com o sabor amargo de ter tido duas oportunidades, a abrir e a fechar, e de não ter conseguido bater a Grécia.