Oito grupos ambientalistas, unidos numa plataforma associativa, a Convergir, acusaram, ontem, a Câmara do Porto de transformar a discussão pública do Plano Director Municipal (PDM), aberta até ao próximo dia 13, "numa perda de tempo".
"As respostas a sugestões e a contributos foram parcas, insuficientemente fundamentadas e parciais e não tiveram praticamente nenhum acolhimento", lê-se no comunicado, distribuído durante uma conferência de imprensa realizada à porta do Parque da Cidade.
Paulo Santos, porta-voz da plataforma, que junta, entre outras associações, o FAPAS, a Quercus, a April e a Olho Vivo, criticou a "falta de cultura democrática revelada pela Câmara ao não aceitar as propostas dos cidadãos". "A resposta mais comum era a seguinte: 'Agradecemos o tempo que perdeu sobre este assunto'. Sem fundamentos. Estamos chocados" , salientou.
Os contestatários dizem "estranhar" que, depois de um processo de "participação pública inovador em alguns pontos, revelando uma abertura e transparência pouco usuais", o vereador do Urbanismo, Ricardo Figueiredo, tenha optado por uma postura diferente. "Antes ouvia. Agora diz: 'Eu é que sei, a minha equipa é que sabe'. Várias associações e a plataforma Convergir, como um todo, entregaram pareceres contendo inúmeras sugestões. Parece que caíram em saco roto", afirma Paulo Santos.
A reforçar a ideia está o facto de a "autarquia se limitar a dizer, nas respostas a reclamações, que os assuntos estavam genericamente inscritos no PDM". "Sem explicações nem poderações", denuncia. Por isso, os grupos ambientalistas exigem, agora, que seja "Rui Rio a tomar uma posição sobre o assunto, dado que a discussão pública é algo que não pode ser desprezado por quem diz querer uma cidade melhor".