Dr. Santana Lopes: Como cidadão comum, não filiado em qualquer partido, quero saudar a decisão do presidente Jorge Sampaio, que, dando mostras de grande honestidade e isenção, escolheu em função do real interesse do país. Quero em segundo lugar dar-lhe os meus parabéns pelo seu novo cargo e desejar os maiores êxitos para si e logicamente para Portugal.
As eleições europeias foram, sem dúvida, um sinal inequívoco do descontentamento do seu eleitorado. Nesta altura crucial para si e para o país, quero lembrar-lhe que um dos motivos desse descontentamento foi a política seguida pelo Ministério chamado da Educação.
Não sei se terá reparado numa manifestação, no dia 7 de Junho, que reuniu, em apenas quatro dias, dez mil pessoas de todo o país e que, nas ruas da sua cidade, disseram educadamente ao ministro e seu secretário que não queriam o fim dos contratos de associação no Ensino Público não estatal, que o Ministério quer lentamente ver morrer. Apesar de ter sido uma manifestação silenciosa, ordeira e vistosa, passou despercebida à comunicação social. Por não ser organizada pelos habituais profissionais e corresponder apenas à espontânea indignação dos participantes.
Mas um político minimamente inteligente e atento saberia ler o sinal dado pela indignação manifestada por aqueles milhares de pessoas. Não aconteceu assim com o Ministério. A sua luta cega contra os direitos dos pais continuou e os colégios, com futuro incerto, preparam-se para começar a despedir os primeiros dos 22 mil trabalhadores que irão engrossar o desemprego do país.
O Ministério da Educação, cedendo às visões totalitárias e corporativas da FENPROF, quer formatar cada aluno, metendo-o num caixote chamado agrupamento. Duma maneira a que nem o regime estalinista se atreveria, os pais são obrigados a inscrever os seus filhos na chamada área de influência. Assim, por exemplo, o pai Corga, morador no seu conhecido Bairro dos Olivais Sul, tem de inscrever o seu filho numa escola que não quer, porque mora no quarteirão errado. Se morasse no outro lado da rua, já podia. Em pleno século XXI, este é um exemplo acabado de liberdades fundamentais não adquiridas, embora constitucionalmente consagradas.