Não é hoje que a versão final do Plano Director Municipal (PDM) do Porto vai a votos. Os vereadores da CDU e do PS solicitaram, em duas cartas dirigidas ao presidente da Câmara, o adiamento da votação do documento para o início de Setembro. Na última reunião do Executivo antes das férias do Verão, a maioria PSD/PP irá abster-se e a proposta será retirada.
O comunista Rui Sá foi o primeiro a requerer que a discussão do PDM ficasse só para os mês de Setembro. "Nesta altura, o adiamento da votação não causa atrasos na tramitação do processo do PDM e permite aprofundar o conhecimento da versão final para, no início de Setembro, estarmos mais aptos a pronunciarmo-nos sobre o assunto", realça, ao JN, Rui Sá, lembrando que, se o documento fosse aprovado hoje pelo Executivo, só em Setembro seria analisado pela Assembleia Municipal. A última sessão dos deputados teve lugar ontem à noite.
A posição é secundada pelo PS. O vereador Orlando Gaspar enviou, ontem, uma carta a Rui Rio, requerendo, também, o adiamento da votação. "Co-mo pode discutir-se e votar-se a versão final do PDM numa reunião que o presidente da Câmara quer pública com mais de dez pontos na agenda e com munícipes para serem ouvidos?", critica o socialista. Orlando Gaspar admitia mesmo que, se a votação fosse forçada, o PS abandonaria a sala ou inviabilizava o PDM.
No entanto, não correrá tal risco. Os pedidos de adiamento da Oposição deverão ser submetidos à votação do Executivo e, de acordo com fonte da Câmara, a maioria PSD/PP irá abster-se. E há duas razões: não quer inviabilizar um tempo maior de análise e de discussão do PDM, nem responsabilizar-se por mais atrasos.
Certo é que a versão final do PDM apresenta novidades. O segundo viaduto sobre o Parque da Cidade, projectado pelos arquitectos Álvaro Siza e Eduardo Souto Moura, e que levará o Metro da Boavista a Matosinhos, já está desenhado no documento, apesar do presidente da Comissão Executiva da Empresa do Metro ainda não ter dado a certeza absoluta da concretização da travessia. O TVG já corre para a Estação de Campanhã e a VCI surge enterrada no Foco. No segundo período de discussão pública, foram recebidas 129 reclamações.