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Ricardo Figueiredo ameaça abandonar o Executivo

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Ricardo Figueiredo pode deixar a Câmara do Porto. O vereador do Urbanismo e Mobilidade admitiu, ontem, a saída do Executivo perante o adiamento da votação da prorrogação da validade das Medidas Preventivas por um ano na passada sessão da Assembleia Municipal do Porto. Descontente, o autarca condena a atitude dos deputados da coligação PSD/PP, considerando-a "irresponsável" e reveladora de uma "total falta de solidariedade institucional" com a maioria na Câmara.

"Como não quero tomar decisões impulsivas, aproveitarei este período de férias para ponderar muito seriamente, junto do presidente e dos órgãos do meu partido, a minha continuidade como vereador na Câmara", anunciou o autarca, logo no início da última reunião pública do Executivo antes das férias. As críticas de Ricardo Figueiredo apanharam de surpresa os líderes das bancadas do PSD e do PP na Assembleia Municipal, Manuel Monteiro e Manuel Maio, que recusam as acusações. Rui Rio não se pronunciou sobre o assunto.

As Medidas Preventivas serão votadas, amanhã à noite, na última sessão da assembleia (depois só voltará a reunir em Setembro), por decisão unânime de todas as forças políticas. O adiamento era um risco que Figueiredo não queria correr, lembrando a possibilidade de, na sessão de amanhã, não haver quórum para aprovar a proposta do Urbanismo.

"É uma falta de cortesia que pode ser perigosa. A bancada do PSD/PP tinha a obrigação e o dever de consultar o Executivo", aponta o autarca, assinalando que a proposta era prioritária para ele e para Rui Rio. Se a prorrogação das Medidas Preventivas não for aprovada amanhã, o Governo não dará o aval ao documento a tempo de permitir a entrada em vigor a 6 de Setembro e, assim, passa a ser válido o PDM de 1993.

As acusações deixaram Manuel Monteiro, líder em exercício da bancada do PSD na assembleia, surpreso. "Estávamos a 10 minutos da meia-noite e tinha sido decidido, em reunião de líderes durante a semana, que a prorrogação da validade das Medidas Preventidas por um ano exigia uma discussão de 40 minutos, sem atender aos pedidos de esclarecimento que prolongam o debate. Não era a dez minutos da meia-noite que íamos entrar na discussão", explica Manuel Monteiro, realçando que o adiamento foi aceite por todas as bancadas.

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