OGoverno criou, ontem, um sério embaraço a Santos Cabral, novo director nacional da Polícia Judiciária, ao fazer directamente o convite para que a actual equipa da Directoria do Porto se mantivesse.
O JN sabe que Santos Cabral sondou um magistrado ao princípio da tarde de ontem, para assumir tais funções, na mesma altura em que o juiz Ataíde das Neves já tinha aceite o convite feito pelo Ministério da Justiça.
Acabaram depois por se gerar mal-entendidos, com Santos Cabral a ser obrigado a recuar nos convites e a aceitar o nome que lhe era imposto. Tanto mais que ambos, Santos Cabral e Ataíde das Neves, são colegas de Coimbra e fazem parte do mesmo círculo de amigos.
A primeira vítima desta situação foi Sousa Pinto, o magistrado que chegou a estar indicado para "número dois" da PJ (era quase certo que o lugar seria ocupado pelo juiz, que já esteve à frente da Directoria de Lisboa, no tempo de Fernando Negrão). Depois de ter aceite o convite de Santos Cabral, o magistrado recusou, já durante a tarde de ontem. Uma das razões que invocou foi a imposição do Governo para que se mantivesse a composição da Directoria do Porto.
O juiz terá argumentado ainda que, depois da turbulenta saída do anterior director e do pedido de cessação de funções dos seus seis directores nacionais adjuntos, não fazia sentido que a escolha voltasse a recair sobre os mesmos elementos. Lembrou, inclusive, o seu próprio caso, quando abandonou funções em solidariedade com Fernando Negrão, não tendo depois sido reconduzido no cargo por Luís Bonina.