Na véspera da discussão da proposta de Plano Director Municipal do Porto em reunião do Executivo, o vereador do Urbanismo da Câmara do Porto voltou a ser polémico: "Racionalmente, um estádio para 50 mil pessoas, como o Estádio do Dragão, não tinha nada que estar numa cidade como o Porto".
O autarca falava durante um encontro com os jornalistas para apresentar o novo documento e abordava a questão de equipamentos de grande densidade que poderiam ser localizados numa zona mais periférica, dando como exemplo o estádio de Aveiro. Ricardo Figueiredo referiu que o Estádio do Dragão poderia, mesmo, ter sido construído num concelho vizinho, mas admitiu que também houve razões de peso a determinar a manutenção do estádio nas Antas.
Contactados pelo JN, Manuel Diogo (PS) e Rui Sá (CDU) nem queriam acreditar na declaração do autarca social-democrata.
"É difícil para o senso comum e para quem tem alguma experiência no desenvolvimento da cidade ouvir aleivosias desta natureza. Mas é a mesma linha do dr. Rui Rio, quando diz que o Porto não tem capacidade para receber mais unidades estruturantes. Por este andar, tudo o que tem importância na animação da cidade estaria posto fora do perímetro de 42 quilómetros do Porto", disse, ao JN, o vereador socialista. Manuel Diogo sublinhou, ainda, a importância do Estádio do Dragão para a zona oriental da cidade, que "merece ter um lugar no mapa".
Rui Sá, por seu turno, considerou que o "estádio do principal clube do Porto teria de ser construído na cidade". "É verdade que tive algumas reservas em relação ao Plano de Pormenor das Antas, que poderia ter menos equipamentos. Mas o Estádio do Dragão teria de ser sempre na zona das Antas", acrescentou o autarca da CDU.