Ocheiro nauseabundo afasta os humanos, mas é convite apetitoso para dezenas de tainhas. A poluição é a ementa servida aos peixes no Douro. Na Ribeira do Porto, concentram-se numa saída de esgoto, bem perto do local de embarque de turistas para as viagens pelos rio. O dirigente nacional do partido ecologista "Os Verdes", Celso Ferreira, não tem dúvidas de que é sinal de uma descarga ilegal.
"A presença tão intensa de tainhas revela que há um esgoto a despejar para o rio. Neste momento, as pessoas da Ribeira sentem-se indignadas e lesadas com esta situação. É preocupante, pois estamos perante um atentado ambiental", sublinhou Celso Ferreira, realçando que a culpa ainda não tem dono. "Desta forma, o rio Douro passará a ser um esgoto a céu aberto num futuro próximo", acrescenta o dirigente.
A animação das tainhas não passa despercebida aos turistas. De máquina digital em punho, o visitante de calções leva a memória de um Douro poluído entre fotos da cidade. Os moradores não silenciam a tristeza. "Já há vários anos que está a deitar para o rio. É um cheiro que não se aguenta", atira Rui. Já Vítor Veloso, que foi forçado a afastar o barco do cais para não ter a embarcação a boiar na gordura e na sujidade, conta que já viu sair de tudo um pouco pelo ca-no. "Parece um supermercado", descreve o morador.
Certo é que os Serviços Municipalizados de Águas e Saneamento (SMAS) do Porto desconhecem a origem da descarga, podendo ser um braço do rio da Vila. Uma linha de água muito poluída que corre no subsolo da Baixa. "Os SMAS não têm nenhuma saída naquele espaço. Podem existir prédios com ligações ilegais", equaciona Santos Ferreira, administrador delegado dos SMAS do Porto, salientando, no entanto, que a totalidade das habitações da zona ribeirinha estão ligadas à rede de saneamento.
Seja qual for a fonte, os moradores pedem a eliminação de um foco de insalubridade. Também Celso Ferreira acredita que esta situação não tem só implicações ambientais, mas conduz a um problema de saúde pública. "Há pessoas que pescam e consomem estes peixes do rio", acrescenta, sugerindo que a autarquia coloque avisos à população para que não consuma as tainhas do rio Douro.