Nuno Silva
OConselho de Administração (CA) da Metro do Porto chegou a deliberar a adjudicação do fornecimento de veículos especiais para as linhas da Póvoa e da Trofa à empresa Bombardier. A decisão foi tomada, por unanimidade, na reunião do dia 18 de Março deste ano, na qual foi aprovado o relatório do júri de apreciação das propostas, bem como o custo global: 69,6 milhões de euros.
O processo acabou por "esbarrar", contudo, no parecer do ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, António Mexia, que entendeu não homologar a adjudicação. Na carta enviada ao presidente-interino da empresa, Rui Rio, que Mário de Almeida, presidente da Câmara de Vila do Conde, divulgou na última Assembleia Municipal, António Mexia justificou a sua tomada de posição com os factores custo e prazo. Relativamente ao primeiro, o ministro sublinhou o acréscimo do preço em 16 milhões de euros e reforçou a "indispensável contenção orçamental assumida". "Em segundo lugar, a proposta variante da concorrente preferida ultrapassa os prazos máximos admitidos para a execução do fornecimento", acrescenta António Mexia, sugerindo a anulação do concurso.
A influência do governante no desfecho do concurso dos "tram-train" foi negada recentemente pelo presidente da Comissão Executiva da Metro do Porto, Oliveira Marques, mas a acta da reunião do CA do passado dia 8 de Setembro desmente aquele administrador. "Acresce que foi o Conselho informado da intenção inequívoca do Governo da não homologação do concurso e, concomitantemente , da não aprovação formal da adjudicação projectada, também pelas aludidas razões orçamentais", refere o documento, que mereceu o voto contra de Mário de Almeida e de Narciso Miranda (Matosinhos).
O presidente da Câmara de Vila do Conde deu conta de todo este processo aos membros da Assembleia Municipal, reiterando que o anterior ministro das Obras Públicas, Carmona Rodrigues, tinha manifestado disponibilidade em homologar a adjudicação.