Oito anos depois de ter sido apresentado o primeiro projecto, a marina do Infante D. Henrique, junto ao edifício da Alfândfega, no Porto, vai finalmente sair do papel. O secretário de Estado das Obras Públicas e o Sport Club do Porto chegaram a um entendimento para desbloquear a construção da estrutura naútica, orçada em 2,5 milhões de euros, que contará, em terra, com um equipamento de apoio à actividade, espaços de restauração, comércio e lazer. Este último projecto, da responsabilidade da Invesfer, deverá avançar logo após o licenciamento da Câmara do Porto.
Já a construção da marina está dependente da elaboração de um estudo de impacto ambiental (não obrigatório, porque terá menos de cem lugares), que será avaliado por uma comissão a indicar pelo Governo. Segue-se uma consulta pública e a deliberação governamental sobre a concessão, condições e apoios à estrutura. Se tudo correr bem, as obras poderão começar em meados de 2005.
A estrutura naútica que vai nascer junto à Alfândega, nomeadamente na zona onde, actualmente, existe um parque de estacionamento, está pensada para receber embarcações à vela. Uma capacidade que a marina do Freixo (que está prestes a ser inaugurada) não tem, por causa da altura a que está o tabuleiro inferior da ponte Luís I.
Além disso, conforme referiu, ontem, Paulo Barros Vale, presidente do Sport, a criação de uma marina no Porto assume especial importância após o acidente no terminal de Leixões, que obrigou à suspensão das actividades da marina Porto Atlântico (ler texto ao lado) e numa altura em que a construção dos molhes do Douro se prepara para arrancar.
Depois de quase uma década e de muitas alterações ao projecto da marina do Infante D. Henrique, que custaram mais de 500 mil euros ao Sport, a construção vai mesmo em frente. Refira-se que as verbas de apoio do Estado ( 1,5 milhões de euros) estiveram três anos consecutivos inscritos em PIDDAC (Plano de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central). E no próximo ano o cenário deverá repetir-se. "O secretário de Estado garantiu-nos que a questão financeira não se coloca", afirmou Paulo Barros Vale.