Carla Sofia Luz e Inês Schreck
Otempo não joga a favor de Rui Rio, mas o presidente da Câmara do Porto ainda não abandonou a intenção de se demitir e provocar eleições intercalares. A queda do Executivo mantém-se como opção de força, porém, o calendário eleitoral pode ditar outra solução. É que falta apenas um ano para as eleições autárquicas e, em caso de renúncia da maioria PSD/PP, o sufrágio intercalar dificilmente ocorreria até ao final deste ano.
A demissão em bloco obriga, por lei, à realização de eleições intercalares (ler texto na página seguinte). Para cumprir todas as formalidades, só em 2005 é que os portuenses iriam às urnas. O novo elenco governaria a Câmara até às próximas autárquicas, que terão lugar entre 22 de Setembro e 14 de Outubro. O JN apurou que este é o calcanhar de Aquiles na vontade do presidente, pois, politicamente, seria complicado explicar aos munícipes as razões de terem de votar duas vezes em poucos meses.
A inviabilização da constituição da Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU) pode não ser um argumento forte. No entanto, aproxima-se nova batalha na próxima sessão da Assembleia Municipal do Porto: a discussão do Plano Director Municipal (PDM) .
A crise na Câmara foi abordada, ontem à tarde, na reunião da Comissão Política Nacional do PSD, em Lisboa, na qual participou Rui Rio. No final do encontro, o secretário-geral do partido, Miguel Relvas, sublinhou o apoio ao autarca, independentemente da decisão que vier a tomar nos próximos dias. Um apoio corroborado pela Distrital do PSD do Porto. Marco António Costa garante solidariedade, embora acredite que "Rui Rio não baixará os braços e que o cenário de eleições intercalares não se colocará".