Rui Rio não sai e passa a bola aos socialistas. O presidente da Câmara do Porto fez um acordo parassocial (prevendo que a autarquia passe a ser o sócio maioritário dentro de três anos) sem alterar os estatutos da Porto Vivo - Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU) e desafia os socialistas a aprovar o documento. O líder da Concelhia do PS do Porto, Nuno Cardoso, acusa o social-democrata de "baixa política", mas não adianta o sentido de votação do partido, por desconhecer o acordo. A CDU e o Bloco de Esquerda não alteram a intenção de rejeição do modelo da sociedade.
Após quatro dias de incerteza sobre a queda do Executivo na sequência do chumbo dos estatutos da SRU na passada Assembleia Municipal do Porto, Rui Rio quebrou o silêncio, ontem de manhã, em conferência de Imprensa, para afastar a hipótese de eleições intercalares. O autarca tenta, de novo, viabilizar a SRU, acedendo à proposta do PS, feita pelo deputado Carlos Ribeiro, de que a Câmara detenha a maioria do capital social em três anos, apesar de considerar esta garantia "redundante". Ontem, obteve a concordância do Instituto Nacional de Habitação.
"A esmagadora maioria das pessoas está contra a Oposição. A possibilidade do PS recuar é muito grande. Vou apresentar o que os socialistas queriam. A SRU e a reabilitação urbana da Baixa só chumbam se o PS votar contra a sua proposta. Esta é a solução mais sensata, óbvia e de bom senso. Se houvesse um caminhar para as eleições intercalares, eu estaria sujeito a uma crítica justa de teimosia", referiu Rui Rio, criticando a "proposta de má fé" da CDU ao insistir na criação de uma empresa municipal, em vez de uma sociedade anónima. O socialista Nuno Cardoso não gostou da "encenação" de Rio e entende que o autarca devia ter discutido com o PS, antes de mostrar o acordo aos jornalistas (ler na página seguinte).
Certo é que o acordo será submetido este mês a votação (não se sabe se terá de ir ao Executivo ou só à Assembleia). A possibilidade de chumbo está presente, embora Rio alimente a convicção de que a "pressão da opinião pública" fará o PS viabilizar o documento. Se tal não acontecer? O autarca não fala de cenários hipotéticos.
O presidente da Concelhia do PSD/Porto, Francisco Ramos, lembra que a maioria dos membros da Concelhia "preferia a solução de eleições intercalares". Porém, não era esta a posição maioritária entre as personalidades ouvidas por Rui Rio nos últimos dias. "A maioria das pessoas que ouvi não desejam eleições e eu próprio acho que é de evitar, pois não é possível antecipar eleições numa autarquia. Na prática, ganhava seis meses de eficácia, porque as eleições intercalares não se fariam antes de Janeiro", afiança Rui Rio, com críticas à "aberrante" lei autárquica. Quis evitar que os portuenses fossem a votos duas vezes em 2005.