Nuno Cardoso acusou Rui Rio de criar uma "encenação política" que tem a ver com uma "chantagem" para o "interior do PSD". Para o presidente da concelhia do PS/Porto, a ameaça de demissão do presidente da Câmara - na sequência do chumbo dos estatutos da Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU) - não passou de "um pretexto para criar um simulacro de problema, chantageando a direcção do PSD para obter apoio reforçado à sua liderança", num momento em que "tem vindo a ser muito contestado" dentro do partido.
"Foi feita política da mais baixa que alguma vez vi na cidade", insistiu Nuno Cardoso, esclarecendo que o PS votou contra os estatutos da SRU, na Assembleia Municipal, para evitar "a alienação completa das responsabilidades autárquicas em oito freguesias".
Os socialistas insistem que deve ser assegurada a passagem do controlo maioritário da SRU para as mãos da autarquia num período de três anos (até lá, o Instituto Nacional de Habitação será sócio maioritário), como forma de permitir um controlo da sociedade pelos eleitos na Câmara e na Assembleia. Ainda assim, desconfiam do acordo parassocial que Rui Rio apresentou, ontem de manhã, como solução para o problema. Dizem desconhecê-lo, quetêm a sua própria proposta de alterações e criticam a postura de Rui Rio.
"Se quisesse fazer política de forma séria, antes de apresentar o documento aos jornalistas deveria ter discutido com o PS", argumentou Nuno Cardoso, acrescentando que os socialistas rejeitam votar "sob pressão ou sob chantagem". Porque, no entendimento do PS/Porto, o que Rui Rio está a fazer é mesmo uma "chantagem".
Os socialistas explicaram, ainda, a razão do chumbo na Assembleia Municipal. O deputado Carlos Ribeiro lembrou que, apesar de Rui Rio ter concordado com as alterações proposta pelo PS, esse era um compromisso que não tinha competência para assumir. Só o Executivo e o Instituto Nacional de Habitação podem assumir essa alteração.