OPS contra-ataca. Ontem, numa visita ao Centro Histórico do Porto, assinalando com cartazes as casas da Câmara do Porto e da Fundação para o Desenvolvimento da Zona Histórica entaipadas e à espera de obras de reabilitação, o presidente da Comissão Política Concelhia, Nuno Cardoso, afirmou querer, com esta denúncia pública, "combater a demagogia barata de Rui Rio, quando diz que o PS inviabiliza a reabilitação, ao chumbar a Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU) do Porto".
"Em três anos, o Executivo não adjudicou uma única obra. Nem uma para amostra no Centro Histórico, quando tinha projectos para o fazer", salientou Nuno Cardoso.
Num discurso inflamado, o presidente da concelhia sublinhou que, "se a maioria tivesse uma séria intenção de criar a SRU, teria negociado com os vereadores e deputados do PS e da CDU e não apresentar a proposta para aprovação na Câmara quando os vereadores socialistas não estavam presentes". Por outro lado, "Rui Rio dá agora a mão à palmatória, ao dizer que vai alterar os estatutos, mas não pode nem foi mandatado para interpretar as intenções do PS. Sobre essas falam os socialistas".
Questionado sobre a intenção de voto quanto ao novo estatuto da SRU, que está a ser preparado pela maioria, Nuno Cardoso adiantou "que sem discussão prévia, os vereadores vão analisar a proposta durante a reunião semanal da Câmara. Se estivermos de acordo, votaremos a favor, caso contrário votaremos contra", acrescentando que o "PS nada tem contra as SRU. Aprovámos em Lisboa e em Coimbra, mas aqui era diferente. Iam ser entregues partes da cidade a administradores que podem ser muito competentes, mas não podemos permitir uma desresponsabilização deste nível".
A discussão e chumbo dos estatutos da SRU levou mesmo à ameaça do presidente da Câmara, Rui Rio, de se demitir do cargo. O argumento do PS para o chumbo do documento era que como o accionista principal era o Instituto Nacional da Habitação, a Câmara não tinha meios para fiscalizar. Aprovado na Câmara, na ausência dos vereadores do PS, acabou por ser chumbada na Assembleia Municipal, mesmo depois de Rui Rio ter assumido que essa seria uma situação a alterar em três anos.