Uma trapalhada difícil de explicar e de entender. Os números da criminalidade que constam nas estatísticas do Ministério da Justiça são diferentes dos da Polícia Judiciária, que apresenta valores significativamente maiores para o mesmo universo de crimes. A única coincidência é mesmo o aumento de crimes registado nos últimos anos, embora fique por esclarecer qual a percentagem real dessa subida, uma vez que ambas as instituições mantêm que os seus dados são os reais.
As diferenças dizem respeito ao período compreendido entre 2000 e 2003 e, por exemplo, quanto ao número de homicídios. Segundo o Gabinete de Planeamento e Política Legislativa do Ministério da Justiça (entidade responsável pelas estatísticas), em 2003, a PJ registou 129 homicídios, a GNR 84 e a PSP 56, num total de 271. Diz a PJ que, só ela, registou 346 homicídios consumados e 221 tentados.
Diz também o Ministério que em 2003 houve 482 situações de raptos ou sequestros, participados à PSP, GNR e Judiciária. Dos registos da PJ, a que o JN teve acesso, resulta que, no mesmo período, só em investigação naquela polícia, pelos mesmos crimes, estavam 533 processos.
Mas as disparidades continuam se recuarmos no tempo. A PJ diz ter registado em 2000, 5193 crimes de roubo. O Ministério diz que a PJ foi responsável pela investigação de ... 410.
Confrontado com as diferenças, o Ministério da Justiça, garante que só as "suas" estatísticas é que têm "valor", embora nunca esclareça completamente a razão do desencontro de números.