Uma "propaganda negativa contra um partido democrático", considera o PS. Um "ataque às outras forças políticas", defende a CDU. Um "dever democrático", contrapõe a maioria PSD/PP. A polémica está instalada na Câmara do Porto, graças ao folheto que Rui Rio fez chegar às caixas de correio dos munícipes, a propósito da Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU).
Um documento que acusa a Oposição (em particular o PS) de, ao chumbar os estatutos da sociedade, tentar obter "benefícios eleitorais" e de "prejudicar o Porto". Ontem, na reunião privada do Executivo, a Oposição esteve unida nas críticas à forma de actuação.
"Atacámos fortemente a postura do presidente Rui Rio neste processo. O que ele fez foi mais uma propaganda negativa contra um partido democrático, do que qualquer esclarecimento da população", sublinhou o vereador socialista, Rodrigo Oliveira, argumentando que a atitude em causa contraria o discurso de Rio sobre as dificuldades financeiras da autarquia.
O vereador reiterou, ainda, a intenção do PS em mover um processo contra Rui Rio, de apresentar queixa na Inspecção-Geral de Ordenamento do Território e de questionar o Tribunal de Contas sobre a legalidade da situação.
Rui Sá (CDU) também não perdeu a oportunidade de confrontar Rui Rio. "Discordei frontalmente do procedimento de, com dinheiros da Câmara do Porto, justificar uma decisão de carácter partidário e atacar as outras forças políticas também democraticamente eleitas". O comunista recordou que também já viu serem reprovadas propostas por si apresentadas, como vereador do Ambiente. "E nunca me passou pela cabeça fazer um comunicado", afirmou, não pondo de parte a hipótese de a CDU também avançar com uma queixa.