Apoucos meses de aquecimento das máquinas partidárias para as próximas autárquicas, parece oportuna uma avaliação do trabalho feito pela Maioria que governa a Câmara do Porto e das expectativas criadas junto dos portuenses, por essa Maioria e pela Oposição.
Para começar, há um dado relevante que atravessou o mandato e era perceptível desde a noite eleitoral e só o dr. Fernando Gomes não o entendeu: a fragilidade política e técnica da Maioria e a espúria aliança feita por esta para assegurar governação. Se tivesse havido uma responsável humildade por parte do cabeça de lista do PS, já tínhamos visto a queda da Câmara e uma reviravolta consistente se poderia ter operado na política da cidade, tantas e tão grandes são as contradições da actual governação do município.
Importa referir isto, porque é uma das razões da fraca consistência alternativa do PS, que, não esqueçamos, elegeu tantos vereadores como a lista vencedora do dr. Rui Rio.
Estes três anos têm sido de uma pobreza franciscana, com alguma parra e muito pouca uva, geradores de desnecessários focos de conflitualidade, de discussões sem substância e objectivo político, de divisões no próprio seio da governação, de desrespeito, em alguns casos, das regras de convivialidade na disputa entre Poder e Oposição. De obra feita, estrutural e decisiva para o futuro da cidade, muito pouco, descontadas embora as fragilidades das finanças municipais, que desculpam alguma coisa mas não disfarçam a falta de ideias e de capacidade agregadora para lhes dar corpo.
A saga do PDM não passou disso mesmo, de um penoso percurso de desorientação técnica e inabilidade política, tanto que o mandato vai terminar sem que ele regule o planeamento e a gestão urbanística da cidade. Não havia necessidade disto!