Uma crítica contundente aos anos do governo de Margaret Thatcher, narrada por um protagonista homossexual, valeu a Alan Hollinghurst a atribuição do Booker Prize 2004, o mais prestigiado prémio literário inglês.
Intitulado "Line of beauty", o romance, que se superiorizou ao favorito "Cloud Atlas", de David Mitchell, obteve uma notoriedade invulgar por apresentar um forte cunho homossexual. Presidente do júri e antigo ministro da Cultura, Chris Martin - curiosamente, o primeiro responsável britânico a reconhecer publicamente a sua homossexualidade - esclareceu, no entanto, que "o facto de se tratar de um romance gay não teve qualquer influência nas discussões mantidas em torno do livro".
Em entrevistas concedidas logo após a divulgação do prémio, o próprio Alan Hollinghurst, de 50 anos, manifestou o seu desconforto pela redução da sua obra à faceta gay. "Fico deprimido sempre que me rotulam desse modo, porque sugere que se trata do único interesse dos meus livros. Tento contar histórias a partir de um ponto de vista homossexual, mas assusta-me que as pessoas não queiram ver mais nada", confessou.
Em "Line of beauty", romance que ainda não se encontra disponível em Português, à semelhança dos restantes livros de Hollinghurst, é abordada a propagação da sida e a perda de inocência sexual de Nick Guest, licenciado pela Universidade de Oxford que se relaciona com um parlamentar e um milionário viciado em cocaína.
"É um livro excitante, que consegue entrar profundamente no íntimo da governação Thatcher. Raramente a procura do amor, sexo e beleza foi feita de modo tão requintado", justificou Chris Smith.