Domingo à tarde. Tudo parecia normal até alguns moradores da Foz, no Porto, começarem a queixar-se, ao JN, do lixo colocado pelo autarca Manuel Seabra junto a uns contentores próximos da sua casa. Eram várias caixas de cartão, seladas com fita adesiva, mas que não resistiram aos mais curiosos e aos que procuravam livros para vender, acabando o conteúdo por ficar espalhado pelo chão.
Inúmeras listagens de militantes socialistas, com nome, morada e telefone, bem como capas repletas de documentos oriundos da Câmara Municipal de Matosinhos, muitos deles originais, acabaram na mão da vizinhança. "Ordens de serviço, circulares e despachos" ou "correspondência recebida e expandida" catalogavam as pastas que, garantiu Seabra, continham fotocópias ou documentos originais mas sem qualquer importância ou "dignidade processual".
"É tudo arquivo morto, sem qualquer utilidade", justificou, perante a existência de documentos endereçados não apenas a si mas também, por exemplo, ao presidente da Câmara.
Mas o procedimento manda, segundo recordou fonte da Associação Nacional de Municípios Portugueses ao JN, que todos os documentos originais sejam destruídos num acto oficial e com o devido registo. "Fiquei sem gabinete na Câmara, de um momento para outro, e sem espaço em casa para tantos papéis", explica Manuel Seabra, garantindo que deixou na autarquia tudo o que era "registo oficial" ou envolve processo. E o lixo que colocou junto aos contentores "estava devidamente acondicionado".
Por sua vez, queixa-se de violação da privacidade, considerando inadmissível que alguém tenha aberto as caixas e "vasculhado" o seu lixo.