Carla Sofia Luz
As portas de bronze estão quase sempre trancadas há cerca de três anos. São 32 meses em que a Casa dos 24, projectada pelo arquitecto Fernando Távora, permanece devoluta e sem utilidade na Sé, apesar da Câmara do Porto ter anunciado, no ano passado, que o espaço iria albergar um centro de documentação. A reabertura "relâmpago" a 24 de Outubro de 2003 não vingou. Durante o Euro as portas voltaram a abrir, mas no final do campeonato de futebol foram novamente encerradas.
O edifício-escultura - construído sem uso definido, como já indicou o autor, e que custou 858 mil euros - para evocar a Casa da Câmara que existiu naquele local, já apresenta sinais de abandono. A humidade pincela o granito a verde e os vidros estão sujos. A fachada negligenciada é vista, diariamente, por dezenas de turistas e pelos moradores da Sé que ainda não se conciliaram com a torre, sita a seis metros da catedral.
"Está sempre fechado. Puseram o museu aqui e tiraram a vista à Sé. Não gosto do museu. Tanto dinheiro enterrado para que não tenha utilidade", lamenta, ao JN, Maria de Lurdes. "Os turistas passam por ele, olham e vão-se embora, porque não há nada para ver". Para a vizinha Teresa Couto, o edifício trouxe escuridão. "Tirou-me o sol da casa. Tenho a impressão que ainda não está acabado por dentro", continua.
A ideia de transformação do espaço num centro de documentação das seis cidades históricas (Porto, Guimarães, Évora, Santiago de Compostela, Angra do Heroísmo e Lugo), classificadas como Património da Humanidade, avançada pelo presidente Rui Rio, resiste, mas o projecto só deverá ser concretizado no segundo semestre de próximo ano.