Ainvestigação de células estaminais é uma realidade em Portugal. Quem o garantiu foi o cientista Gonçalo Castelo-Branco, ontem, durante um debate em que se equacionou a justiça de tratar um doente com Parkinson pelo preço do tratamento de mil hipertensos. Castelo-Branco anunciou que a investigação em células estaminais ou indiferenciadas realizada em Portugal é essencialmente desenvolvida por cientistas que estão a trabalhar fora do país.
Prova disso mesmo será o lançamento, em Janeiro, da Sociedade Portuguesa de Células Estaminais e Terapia Celular, coordenada o professor Rui Reis, da Universidade do Minho. A informação foi avançada, ontem, durante o debate sobre células estaminais que decorreu no âmbito do Seminário Nacional do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV), dedicado ao tema "Da célula ao embrião".
Gonçalo Castelo-Branco, que criou em Portugal uma empresa de biotecnologia dedicada a criopreservação de células estaminais, defendeu uma maior investigação em células estaminais, uma área que é apontada como solução para algumas doenças, como Alzheimer, Parkinson ou diabetes.
O investigador - que tem trabalhado com células estaminais na área do desenvolvimento e regeneração dos neurónios, na Suécia - salientou a grande característica destas células a capacidade de diferenciarem-se em todos os tipos de células presentes num organismo. "Esta característica é muito promissora para o tratamento de várias doenças", referiu, lembrando a razão do interesse nestas células que são isoladas ainda numa fase muito inicial do embrião.
O debate nesta matéria tem sido aceso em vários países e levou a Assembleia da República a solicitar ao CNECV a elaboração de um parecer sobre células estaminais, o qual deverá estar concluído em Janeiro. Paula Martinho da Silva, presidente do CNECV, mostrou-se esperançada em encontrar neste debate um contributo importante para a elaboração do parecer, mas as posições ontem conhecidas prevêem um divórcio de opiniões.