Na reunião que manteve ontem durante mais de uma hora com o primeiro-ministro, o Presidente da República, Jorge Sampaio, afastou a hipótese de dissolver a Assembleia da República.
Para resolver a crise política gerada pela demissão do ministro da Juventude, Desporto e Reabilitação, Henrique Chaves, Jorge Sampaio desvalorizou o "terramoto" causado pela carta de demissão de Chaves, preferindo devolver a palavra ao primeiro-ministro, forçando-o assim, a apresentar uma solução que garanta a estabilidade e o regresso à normalidade do Governo no curto prazo. Esta solução pode ser mais do que um mero ajuste, ou seja, pode passar por uma remodelação alargada a mais do que um ministério, tendo em conta que Santana Lopes considerou a remodelação da semana passada um "pequeno ajuste" de pastas ministeriais.
Além disso, a revelação de Henrique Chaves, de que existiria uma intenção "alegadamente firme" de se proceder à demissão de outro ministro" - José Luís Arnaut, ministro das Cidades, Administração Local e Habitação - aumentou a estranheza entre os membros do Executivo, multiplicando-se as vozes que defendem um esclarecimento cabal e, se necessário, uma remodelação.
Segundo apurou o JN, José Luís Arnaut (ausente do país) "está tranquilo" apesar de ter sido dado, por Henrique Chaves, como o "outro ministro" que Santana queria demitir por alegadamente ter desautorizado o ministro de Estado e das Actividades Económicas, Álvaro Barreto. Fonte próxima do ministro das Cidades garantiu ao JN que Arnaut e Barreto "sempre estiveram coordenados" através dos seus secretários de Estado. A mesma fonte negou categoricamente que fosse Arnaut o alvo de Santana e assegurou que o primeiro-ministro mantém a total confiança no ministro e o ministro continuará no Governo.
O chefe do Executivo apresentou-se ontem a Sampaio sem qualquer alternativa preparada. O JN sabe que Santana Lopes estaria disposto a tudo, inclusivé eleições.