Amobilidade no centro da cidade do Porto tem piorado ao longo dos anos, ferindo a qualidade de vida e a economia. Álvaro Costa, professor da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (UP), considera que " as portagens urbanas são uma boa medida" para resolver o congestionamento na cidade. No entanto, o especialista na área dos Transportes entende que a decisão não cabe ao Governo, mas ao poder local.
A possibilidade de introdução de portagens à entrada das principais cidades foi avançada pelo ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, António Mexia. Álvaro Costa concorda com a medida, até porque "o preço é uma forma de colocar as infra-estruturas a funcionar" e de combater o congestionamento, que é "um dos piores males para a economia". O preço já é usado no estacionamento na cidade, com custos elevados durante o dia para evitar que a população use os automóveis.
Tendo em conta a dimensão do Porto, há estacionamento a mais na Baixa. "O Porto aplicou uma fórmula que funciona muito bem em cidades de média dimensão. Ter muito estacionamento em cidades de média dimensão funciona bem, porque as deslocações são feitas, sobretudo, através do automóvel e não há massa crítica para um bom transporte público. Para uma cidade com dimensão significativa e com congestionamento do espaço de circulação, o número de espaços de estacionamento é exagerado", afirmou, ontem à tarde, Álvaro Costa, no segundo debate do ciclo de reflexão sobre o Porto Cidade Região, promovido pela UP. Nesta sessão, discutiu-se a revitalização económica e a mobilidade.
Também a geógrafa Elsa Pacheco salientou a necessidade de transportes públicos mais cómodos e de uma gestão correcta do estacionamento no coração do Porto. "O estacionamento não pode ser um negócio, mas um instrumento de gestão de transportes", referiu a docente da UP, assinalando a expectativa em torno da Autoridade Metropolitana de Transportes (AMT). Apesar dos atrasos causados na instalação da AMT pela mudança governamental, Álvaro Costa crê que a criação é inevitável.
No momento de abordar a revitalização económica do Porto, Mário Rui Silva, professor da Faculdade de Economia da UP, não tem dúvidas de que não pode falar-se em cidade, mas sim em região. Insiste na importância de relançar a discussão sobre a regionalização e a efectiva descentralização política e dos serviços públicos "O Grande Porto foi o grande perdedor pelo facto de não haver regionalização", assinalou.