De um lado, a voz da autarquia. Do outro, a de um "sulista" que "gosta do Porto", mas defende que a cidade só conseguirá afirmar-se no país se tiver todo o Norte a apoiá-la.
Rui Rio, presidente da Câmara, e António Marques, líder da Associação Industrial do Minho, revelaram as suas maneiras de ver a cidade, anteontem à noite, numa conferência promovida pela Universidade Católica e pelo jornal Público, e moderada pelo secretário de Estado da Justiça, Paulo Rangel.
Embora convidado para dissertar sobre a relação do Porto com as cidades envolventes, o autarca preferiu fazer uma análise dos "pontos fortes e fracos" do concelho e dar conta, a uma plateia numerosa, da sua estratégia política na autarquia.
"Viajou" até 2001, ano em que deu de caras com realidades e condições de vida dramáticas, fez comparações, realçou as mudanças e admitiu que ainda há coisas a mudar.
Nomeadamente, o espírito auto-crítico dos portuenses. "O Porto só diz mal de si mesmo", salientou Rio, sublinhando os efeitos negativos de um "bairrismo excessivo e de um discurso bacoco que não faz afirmação política nenhuma". Como consequência, surge a questão "quantas cidades do país aceitariam mudar a capital para o Porto?".