Opermanente adiamento da autorização governamental para a duplicação do segundo troço da Linha Vermelha, entre a Maia e a Trofa, custará muitos milhões de euros. Oliveira Marques, presidente da Comissão Executiva da Empresa do Metro acredita que o dinheiro que se "vai deitar fora" com o adiamento da decisão permitiria construir, por exemplo, a Linha da Boavista (avaliada em 90 milhões de euros, excluindo expropriações).
O também professor universitário nem quer pensar na hipótese do projecto não receber aval - "seria um enorme disparate não duplicar a linha" -, mas alerta para o facto de a obra ficar mais dispendiosa quanto mais tarde for concretizada. "Quantos milhões de euros custará esta demora na decisão? Mas ninguém faz essas contas", referiu o presidente da Comissão Executiva da Empresa do Metro, que falava, anteontem à noite, em mais um Serão da Bonjóia, iniciativa da Fundação para o Desenvolvimento Social do Porto.
"Não sei ainda o que se vai passar com a duplicação da Linha da Trofa. Estamos encravados", confessou o responsável, explicando que a solução de fazer o troço em via simples foi cancelada, mas que a Empresa do Metro também não tem autorização do Governo para avançar com a via dupla. "É como se estivéssemos na fronteira entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul", ironizou.
O descontentamento de Oliveira Marques vai direitinho para Lisboa, embora nem acuse directamente os membros do Executivo "Desengane-se quem pensa que nós somos governados por ministros e por secretários de Estado. Somos governados por gente cinzenta, que faz a sua opinião com base em critérios que só Deus sabe e que nos dizem que fica muito caro". Um argumento de custos que Oliveira Marques desmistifica, lembrando que cada quilómetro de linha para a Trofa fica por oito milhões de euros, enquanto para Matosinhos, por exemplo, custou 15 milhões e, no metro de Lisboa, orça 20 ou 30 milhões.
Oliveira Marques apontou baterias aos círculos de decisão em Lisboa. E lembrou que outra das linhas consideradas mais urgentes - a de Gondomar - também só espera um sinal vindo da capital para avançar.