A sessão "Qualidade de Vida e Cultura", inserida no ciclo de encontros "O Presente e o Futuro do Centro do Porto", foi dominada pelo tema dos espaços verdes. Planeamento urbano de arborização, funções ambientais, verdes públicos e privados deram o tom à sessão, que incidiu no tema enquanto item da qualidade de vida da população.
Helena Madureira, docente da Universidade do Porto (UP), apresentou dados que apontam para que 30% da cidade corresponde a zonas verdes. Os números, que se traduzem em cerca de 180 hectares, foram comparados pela docente com um levantamento que data de 1892, apontando-se a diminuição de espaços verdes, devido ao amplo crescimento urbano do último século.
Nicole Devy Vareta, geógrafa e docente da UP, lançou ideias, destacando que existem outras soluções para inserir o verde na paisagem urbana, como por exemplo os espaços vegetalizados assentes em estruturas móveis. A proposta, já implantada em várias cidades europeias, passa por alargar os espaços verdes e floridos, através de uma plataforma móvel, passível de mudança de acordo com as estações do ano. A docente relembra que este "é um investimento que fica bastante caro aos municípios", mas afirma que "a qualidade de vida passa por ter espaços vegetalizados", contrariando as mentalidades que encaram as zonas verdes apenas como património que necessita de protecção.
As vozes dos participantes soaram ainda em temas como a habitação na baixa portuense, seu despovoamento, focos de aproximação e distanciamento da população relativamente a esta zona.
Foram ainda apresentados dados de um estudo da Câmara do Porto, que visa diagnosticar os problemas dos cidadãos e medir a qualidade de vida, e segundo o qual a insegurança é o principal factor negativo na cidade. Joana Martins