Aideia de uma "casa para a música" no Porto perde-se na bruma dos tempos. Um dia, no entanto, a ideia começa a fazer caminho. É quando o Porto é escolhido para ser Capital Europeia da Cultura em 2001. Corria o ano de 1998. Meses depois - poucos - a "casa" começa a ter "programa", até que, semanas depois - poucas - e tendo já "programa", começa a precisar de um "lugar" onde pudesse ser feita. Vistos todos os "lugares" possíveis (e impossíveis) da cidade, foi escolhido um. E então, em havendo já um "programa" e um "lugar", só já havia que encontrar um "autor". E poucos dias depois - muito poucos - foi encontrado um "autor". E tudo foi feito no tempo justo.
A ideia, não sei se tem pais. Tem, com certeza, muitos pais e muitas mães. Mas se isso tem alguma importância, é justo reconhecer na paternidade da "casa", três assinaturas a de Manuel Maria Carrilho, a de Fernando Gomes e a de Artur Santos Silva, ou seja, a do ministro da Cultura de então, a do presidente da Câmara da cidade daquele ano em que tudo se começou a desenhar e a do futuro presidente "Porto 2001". O "programa" tem também, naturalmente, uma assinatura, para além de outras: a de Pedro Burmester; o "lugar", claro, tem uma marca, para além de outras: a da primeira Comissão Executiva da Porto 2001; e o "autor", esse, assina "Rem Koolhas" que, certamente, também não estará só na autoria da "casa" que agora se abre à cidade e ao mundo. Muitos a construíram mas muitos mais a hão-de adoptar e ajudar a transformar daqui em diante. Assim se espera que seja, já que foi exactamente para isso que a "casa" foi idealizada, programada, localizada, projectada e construída.
Sobre isto, algumas precisões, para que não se digam disparates. Assim
O "programa" nasceu com o objectivo primeiro de fazer uma "casa para a música", ou seja, o de fazer uma casa onde toda a música, digna desse nome, pudesse ter lugar. Por isso, pensou-se que, dentro da casa, seria preciso ter um espaço onde a música pudesse acontecer ao vivo. Simples, portanto o melhor espaço, a melhor sala, para a melhor música, ou seja, uma "sala de concertos".
Mas, "toda a música", não significa tudo quanto tenha música. Ora, uma das coisas que, tendo, embora, a música, como coisa essencial, não vive exclusivamente dela, é a ópera. Ópera é teatro com música, ou seja, música em "cena". A ópera, faz-se, como se sabe, apenas em "teatros" porque implica "cena". Mas, exactamente porque implica "cena" e "música", só se faz em teatros especialmente preparados para isso. Ora, a "especialidade" desses teatros é ter um lugar para colocar a "instrumentação" ou seja, a orquestra, mas - curiosamente - de modo que, esta, não interfira na "cena". Por isso se "esconde" a orquestra... num fosso! São os chamados "teatros de ópera" porque nem em todos os teatros se pode fazer ópera.