Carla Sofia Luz
As negociações já começaram. O lote nas traseiras da Casa da Música vai ter construção, mas o janelão do equipamento não será tapado. A Câmara do Porto comprometeu-se a ceder o terreno contíguo ao da Adicais - Investimentos Imobiliários, tendo a sociedade concordado em propôr uma nova solução urbanística para a envolvente. Ainda sem fumo branco, os primeiros passos para o consenso foram dados, ontem de manhã, na reunião que juntou Rui Rio, os arquitectos Rem Koolhaas e Ginestal Machado e Rui Costa, presidente do Conselho de Administração da Adicais.
O arquitecto holandês acedeu ao convite, feito anteontem por Rui Rio, e trouxe esquissos e ideias para o futuro remate urbano do equipamento cultural no encontro na Câmara, que se realizou a meio da manhã. O objectivo é libertar o janelão e manter o ângulo actual de visão do auditório da Casa da Música. O projecto aprovado para a futura sede do Banco Português de Negócios tapa 80% do janelão. Merece, por isso, o desacordo de Koolhaas, que é favorável à existência de construção nas traseiras da Casa da Música.
Na acta da sessão, divulgada no site da autarquia, é referido que Koolhaas e Ginestal Machado "foram unânimes na defesa da existência de construção para o local, considerando que, urbanisticamente, uma envolvente edificada é benéfica para o enquadramento da Casa da Música". Aliás, o arquitecto holandês - acompanhado de alguns elementos da sua equipa - manifestou que não foi surpreendido pelo edifício, pois, ao idealizar o equipamento cultural na Boavista, sabia da "existência dos projectos de construção previstos para a envolvente".
A presença de Rem Koolhaas no Porto para a inauguração da Casa da Música (ler páginas 42 e 43) foi determinante para obter-se o encontro de vontades, que nunca foi alcançado anteriormente nas negociações entre a Câmara e a Adicais desde 2002 até ao ano passado.