O presidente da República, Jorge Sampaio, abriu, ontem, as portas ao regresso de Pedro Burmester à Casa da Música, no Porto. "O caminho que nos trouxe até aqui", recordou no discurso de inauguração do equipamento, "foi acidentado e nem sempre um exemplo a seguir. Desperdiçaram-se energias, o processo nem sempre foi rigoroso e transparente, e houve pessoas que, imerecidamente, ficaram pelo caminho".
Sem que tenha feito referência directa ao nome do pianista, o discurso de Sampaio foi interrompido, nesse momento, por uma longa salva de palmas. Estavam no foyer centenas de pessoas, entre populares e convidados VIP.
Reposto o silêncio, Sampaio continuou, lançando o repto "É preciso aprender com os erros cometidos; corrigi-los. A lição tem que ser aprendida para o futuro da Casa da Música."
Mais objectivo, Artur Santos Silva, presidente do núcleo de fundadores, referiu-se directamente a Burmester. "Uma pessoa com as qualidades dele faz muita falta neste projecto. Foi ele que o pensou. Espero que possa ser aproveitado no futuro desta Casa." A deputada socialista Manuela de Melo corroborou "Não me cabe interpretar o discurso de Jorge Sampaio, mas as palavras dele foram, obviamente, para Pedro Burmester. A possibilidade do seu regresso acaba de ser aberta; falta saber se ele está interessado". A ex-vereadora da Câmara do Porto reforçou que "a marca da Casa da Música não é o edifício que está a ser inaugurado, mas o projecto que o Pedro pensou em 1999, e que está a ser desenvolvido desde essa altura".
Já à entrada para o concerto inaugural, protagonizado pela Orquestra Nacional do Porto, Ramalho Eanes, ex-presidente da República, não evitou o comentário. "Pedro Burmester é um homem e um pianista de grande valia. O seu regresso é desejável, não só para o futuro da estrutura como para o desenvolvimento da própria cidade".