Carla Sofia Luz
Aoferta hoteleira da Baixa é insuficiente. A Porto Vivo - Sociedade de Reabilitação Urbana propõe a instalação de sete hotéis de charme na zona central da cidade para cativar os visitantes com elevado poder económico. A Avenida dos Aliados, o Largo de S. Domingos, a envolvente romântica do Palácio de Cristal são algumas das localizações sugeridas no Masterplan da sociedade.
Os consultores não têm dúvidas de que é importante reforçar, também, a rede de unidades de duas e de três estrelas com a reabilitação de edifícios devolutos ou a beneficiação de residenciais existentes, assim como criar pousadas da juventude. Só a operação da Ryanair, com vôos entre o Porto e Londres, na Inglaterra (em breve, iniciará as ligações a Frankfurt, na Alemanha), deverá trazer cerca 11 milhões de visitantes nos próximos sete anos. As estimativas para os anos de 2005 a 2012 pertencem à transportadora, cujos principais clientes são dirigentes ou quadros superiores, profissionais liberais e estudantes. Geralmente, viajam em "pequenos grupos, têm capacidade aquisitiva e fazem curtos períodos de férias de três a quatro dias", como pode ler-se no Masterplan, a que o JN teve acesso.
A instalação de unidades hoteleiras de charme no centro da cidade é entendida como elemento impulsionador da reabilitação urbanística, em especial das áreas em que se inserem. Os consultores da Porto Vivo arriscam, assim, a sugestão de localizações centrais e até de edifícios com valor patrimonial, que conquistam nova vocação. Na Praça da Liberdade, o eleito é o Palácio das Cardosas. Entre a Rua de Belomonte e o Largo de S. Domingos, a aposta recai no palácio que acolhe a Fábrica de Ideias do Instituto Português da Juventude, enquanto na Rua de Saraiva de Carvalho (a poucos passos da Avenida da Ponte, na Sé) sugere-se a adaptação do palacete da antiga Direcção de Finanças.
A Avenida dos Aliados, a Rua das Flores e o eixo de Cedofeita/Miguel Bombarda são considerados, também, locais ideais para o nascimento de novos hotéis de charme. Para a zona do Palácio, à entrada dos Caminhos do Romântico (recuperados pela Sociedade Porto 2001, mas hoje sobram as marcas do vandalismo e do esquecimento), o Masterplan da Porto Vivo refere que deve ser executado um edifício de raiz.