Depois de 60 anos a morar na Rua de D. Hugo, na Sé (Porto), Manuel Sampaio, 82 anos, e Maria Amélia, 80 anos , foram obrigados, ontem à tarde, a deixar a habitação. Uma vistoria, mais uma, determinou o estado de ruína do edifício e a Câmara do Porto ordenou o despejo dos idosos. A acompanhá-los, uma filha de 37 anos, que mora com eles. Por um quarto com três camas numa pensão da Rua da Alegria, também no Porto, a Segurança Social vai pagar 1350 euros por mês, sublinhou Fernando Sampaio, filho dos idodos, argumentando que com aquele dinheiro até se poderia alugar uma habitação.
Manuel Sampaio, Maria Amélia e a filha, Elvira, saíram voluntariamente. Mas preocupados não têm prazo para voltar a casa nem têm a certeza, sequer, de que ali regressam. À rua e a freguesia onde moram há mais de seis décadas, insiste Fernando Sampaio, que acompanhou a saída dos pais.
"Imagine que os colocam noutra zona da cidade? Sempre viveram aqui", desabafa. E lembra que na Rua das Aldas, perto da Rua de D. Hugo, há uma casa da Câmara, restaurada e... vazia. A família tentou sensibilizar a autarquia para a possibilidade de transferir os idosos e a filha para aquela casa. "De forma temporária ou mesmo definitiva", diz Fernando Sampaio. O apelo continua, por enquanto, sem resposta.
Tal como o pedido de realojamento que Manuel Sampaio entregou na Câmara, há 21 anos. Em 1984 mandaram-no aguardar, conta o filho Fernando, lembrando que o processo sobre a degradação da casa se arrasta há décadas.
Desde o início da década de 80, o edifício foi alvo de várias vistorias, com resultados idênticos prédio ameaça ruína e moradores devem sair. A situação manteve-se inalterada até ao finais de Abril passado. Mais uma vistora determinou a degradação do imóvel, só que, desta vez, a autarquia ordenou a saída obrigatória dos residentes. Ou deixavam a casa a bem ou eram despejados coercivamente. Saíram de forma voluntária. De uma casa que, dizem os familiares, até pertence à Paróquia da Sé. Fernando Sampaio diz que foi falar com o pároco, João Carrapa, para tentar encontrar uma solução, mas que o diálogo foi infrutífero.